Grupo espanhol Artagón diz ter comprado ilha na foz do Minho, mas autarquias desconhecem
O grupo espanhol Artagón anunciou hoje a aquisição de uma ilha fluvial privada no Norte de Portugal, para desenvolver um empreendimento turístico no valor de 102 milhões de euros, mas as autarquias da zona desconhecem e duvidam da viabilidade.
O empreendimento de luxo - para o qual os promotores afirmam terem já um projecto aprovado - será desenvolvido numa ilha fluvial na foz do rio Minho, que o grupo se escusa a identificar e que afirma se passará a chamar "Isla de Artagón".
Fontes das câmaras municipais de Caminha e Vila Nova de Cerveira asseguraram à agência Lusa que apenas a ilha da Boega, propriedade da empresa portuguesa Gondarém - Sociedade de Investimentos, possui naquela zona, dimensão que permita o desenvolvimento de um projecto desta natureza.
Contudo, o presidente de Vila Nova de Cerveira, concelho a que pertence a ilha, garantiu à Lusa que não foi aprovado qualquer projecto para aquele local e não existe, sequer, nenhum pedido de aprovação prévia.
"Sei que a ilha estaria à venda, mas não há qualquer projecto aprovado", assegurou José Manuel Carpinteiro, manifestando muitas reservas quanto à viabilidade deste investimento numa área de reserva agrícola e ecológica nacional.
Por seu turno, Paloma Amorim, da Gondarém - Sociedade de Investimentos, negou que a Ilha da Boega tenha sido vendida ou esteja sequer à venda e garantiu não ter sido contactada por qualquer grupo espanhol com esse objectivo.
Também Paloma Amorim garantiu não existir na zona qualquer outra ilha capaz de receber um projecto da envergadura do anunciado pelo grupo Artagón.
Em declarações à agência Lusa, fonte do gabinete de imprensa do grupo turístico espanhol revelou apenas que a ilha tem cerca de 50 hectares, e que o projecto prevê a instalação de um hotel de 350 quartos e um campo de golfe, "que têm já projecto aprovado" e deverão estar prontos "dentro de um ou dois anos".
Numa segunda fase, o grupo Artagón diz pretender construir na ilha 150 moradias de luxo e um porto desportivo, cujo projecto afirma estar já "aprovado de forma provisória" pela autarquia local.
De acordo com o autarca de Vila Nova de Cerveira, o único projecto de facto aprovado, que existe para a Ilha da Boega tem já cerca de duas décadas e foi apresentado pelo pai dos actuais proprietários e sócios da Gondarém - Sociedade de Investimentos.
No entanto, disse, o projecto aprovado prevê apenas a criação de um campo de golfe de nove buracos, quando os promotores pretendiam um de 18 buracos, e de uma pequena estrutura de apoio, tendo acabado por ser abandonado.
Segundo apurou a agência Lusa, este projecto terá, na altura, sido bastante contestado por grupos ambientalistas.
Em comunicado citado pela Europa Press, o grupo espanhol garante, contudo, ter já formalizado a compra da ilha, adiantando que o presidente José Maria Terrón veio recentemente a Portugal para ultimar os detalhes da primeira fase do projecto.
Segundo adianta, o grupo não teve "muitos problemas" em aprovar o projecto para a ilha privada, que passará a designar-se "Ilha de Artagón" e cujo processo de compra decorreu ao longo dos últimos dois anos.
No comunicado, a empresa garante que o processo de construção e os empreendimentos a edificar "serão ecológicos e respeitarão o meio ambiente em que estão implantados".
Segundo informações disponíveis no site do grupo Artagón, a empresa iniciou em 2007 a sua aposta em Portugal, com empreendimentos turísticos entre Portimão e Armação de Pêra, e pretende construir no segundo semestre de 2008 150 apartamentos de luxo no Estoril, num investimento de 31,4 milhões de euros.
O grupo, sedeado em Huelva, possui sucursais em Itália, Portugal, Alemanha e Reino Unido.
Há cerca de três meses, a Gondarém - Sociedade de Investimentos vendeu ao grupo português Monte Adriano a Estalagem da Boega, situada na zona costeira de Vila Nova de Cerveira.