Grupo Focor aposta na China e Índia para dinamizar exportações

Porto, 14 out (Lusa) -- A empresa de produtos químicos Focor quer aproveitar o dinamismo dos mercados chinês e indiano para aumentar dos atuais 30% para 50%, até 2016, o peso das exportações na faturação de 30 milhões de euros, disse o administrador à Lusa.

Lusa /

Em entrevista à agência Lusa, Rui Faria afirmou que a China e a Índia "são mercados que têm um potencial grande" e onde a Focor já tem "nome implementado", pelo que lhe "será mais fácil progredir" ali do que investir em novos destinos de exportação.

"A China e a Índia já são mercados que representam valores interessantes em termos percentuais na faturação da empresa -- cerca de 30% - e uma fatia importante da nossa atividade de exportação. Os outros países para onde vendemos, como o Brasil e a Nova Zelândia, são residuais", disse.

Dedicada à produção e comercialização de produtos químicos para diferentes áreas, desde o têxtil aos plásticos, tintas, curtumes e calçado, a Focor tem sede no Porto e, sobretudo na fileira do couro, "há já bastante tempo que vende produtos para a China e para a Índia".

"Recentemente começámos também com uma atividade centrada no Bangladesh, que se torna um mercado cada vez mais importante para a fileira têxtil", adiantou Rui Faria, salientando que "a imagem dos produtos europeus nesses mercados é muito forte, pela garantia que dão em termos de constância de qualidade dos produtos e de conformidade com as regulamentações ambientais europeias".

"Dado que os nossos clientes alvo nesses mercados posteriormente fazem exportações do produto acabado (sejam sapatos, blusões, carteiras ou cintos) para os mercados ocidentais, essa garantia que lhes dá um fornecedor europeu dos produtos químicos que utilizam na confeção do produto é muito importante", explicou.

Fruto do dinamismo dos mercados chinês e indiano, a Focor, onde está a fazer uma forte "aposta para alargar a rede comercial, com uma presença constante em feiras", a empresa prevê aumentar dos atuais 30% para 50%, até 2016, o peso das exportações na faturação.

Quanto ao mercado interno, apesar de o setor do calçado -- grande cliente da Focor -- estar "bem e com algum crescimento", o facto de se tratar de um "mercado bastante maduro" leva a que a empresa não espere "um desenvolvimento sequer parecido com o que sucede na China e na Índia, até pelos constrangimentos normais da envolvente macroeconómica da economia portuguesa".

Para além da área química, a Focor atua também no setor agroalimentar, designadamente na produção e comercialização de vinho e azeite, com inicialmente como `hobby`, mas, atualmente, já com uma dimensão "mais profissional e empresarial" que se traduz num peso de 15% na faturação global do grupo.

Os seus vinhos Vale Barqueiros (tinto do Alentejo) e Encosta do Xisto (verde) são exportados para vários países -- o primeiro foi, este ano, considerado um dos 50 melhores vinhos para o mercado dos EUA -- e em preparação está o lançamento, até final do ano, de uma marca própria de azeite produzida nas herdades que o grupo detém no Alentejo.

"Até ao momento estamos a fazer vendas de azeite a granel, mas temos planos para começar a vender com a nossa própria marca ainda durante este ano, em Portugal e no Brasil", revelou Rui Faria à Lusa.

Segundo adiantou, "inicialmente o Brasil deverá ser o único mercado de exportação" da nova marca, "porque tem bastante apetência para o azeite português", mas "já há também contactos com a China", embora ali este produto se venda "mais por via do preço e não tanto da marca".

Depois de, em 2013, ter movimentado um volume de negócios na ordem dos 30 milhões de euros, o grupo Focor -- cuja sede e serviços administrativos estão no Porto, mas que possui a unidade de produção em Famalicão -- antecipa um crescimento de 10% da faturação este ano e de 20 a 25% do resultado líquido face ao milhão de euros de 2013.

 

 

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