Grupo José Maria Vieira quer duplicar vendas em Espanha até 2012

O grupo José Maria Vieira quer duplicar até 2012, para 12 milhões de euros, as vendas de café em Espanha, onde opera com a marca Torrelsa sobretudo nas regiões da Catalunha e Madrid, disse à Lusa o presidente.

Agência LUSA /

"Nos próximos cinco a seis anos queremos crescer bastante em Espanha. Duplicar as vendas já seria interessante, mantendo o foco na Catalunha e em Madrid e com a marca Torrelsa, que tem já a sua clientela", afirmou José Maria Vieira em entrevista à agência Lusa.

Apesar de em Portugal operar com a marca própria Torrié, em Espanha a José Maria Vieira (JMV) adquiriu, em 1999, a empresa local Torrelsa, no âmbito da sua estratégia em que elegeu o mercado ibérico como "fundamental".

Conforme explicou à Lusa o presidente da JMV, a Torrelsa é uma empresa familiar, escolhida não pela dimensão, já que vende "pequenas quantidades", na ordem dos seis milhões de euros, mas pela "imagem muito forte" e "vasta clientela no canal horeca [hotelaria, restauração e cafetaria]".

"O objectivo não foi adquirir uma empresa que desse volume, mas uma que desse um posicionamento importante no mercado e fosse reconhecida pela qualidade", afirmou o assessor de direcção de marketing do grupo JMV.

É que, considerou Pedro Guerreiro, "é mais fácil trabalhar a partir da qualidade para o volume do que o contrário".

Embora tenha eleito Espanha com um país prioritário, a José Maria Vieira admite que se trata de um mercado "complicado, que se defende bastante bem do exterior e responde muito tarde, pelo que os investimentos demoram a dar retorno".

Ainda assim, a JMV acredita que o mercado espanhol "ainda tem muito para evoluir em termos de qualidade", pois embora já se tome, hoje, "bom café" em Espanha, nomeadamente na Catalunha, há ainda muito potencial a explorar.

"Em Espanha as pessoas estão habituadas a uma determinada forma de consumir café, com leite, mas é preciso trabalhar para os habituar a apreciar um novo tipo de café, o expresso", em que os portugueses são especialistas, afirmou José Maria Vieira.

"Creio que por aí poderemos crescer imenso, até porque é um país com um mercado turístico muito forte e que está aqui à beirinha da porta", acrescentou.

Relativamente à hipótese de prosseguir o crescimento ibérico através de novas aquisições, o presidente da JMV é mais céptico: "Em Espanha as aquisições são complicadas, pois as muitas pequenas empresas locais estão muito defendidas e as maiores já foram adquiridas por grandes grupos".

"A Torrelsa - disse - foi uma oportunidade como, possivelmente, não surgirá outra".

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