Grupo Quirón tem condições para ter papel importante no sector na Europa

O grupo Hospitalario Quirón, onde José de Mello Saúde tem uma participação de 38 por cento, tem condições para ter um papel importante no sector da saúde na Europa, afirmou hoje o presidente da empresa portuguesa.

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Salvador de Mello falava aos jornalistas portugueses à margem da cerimónia de inauguração do sexto hospital do grupo espanhol, o Quirón Barcelona, resultado de um investimento de 100 milhões de euros.

"O Quirón é um excelente grupo e encontramos afinidades com a família [que o detém]" referiu o responsável português, realçando que, com a sua "visão empresarial forte tem condições para ter um papel importante na saúde na Europa".

Com um "ambicioso plano de investimentos e de expansão", as previsões do grupo Quirón apontam para uma facturação de 220 milhões de euros em 2010, quando será responsável pela gestão de mais de mil camas, contra o volume de negócios actual de 95 milhões de euros.

Se os planos se cumprirem, em 2010, o Quirón será o grupo de saúde privado espanhol com maior superfície de construção nova, segundo uma informação hoje divulgada.

No entanto, Salvador de Mello fez questão de salientar que, para já, o objectivo dos dois parceiros é "criar um grupo de referência a nível ibérico", por isso, a aposta vai para os investimentos na Península Ibérica.

A parceria entre a José de Mello Saúde e o grupo Quirón leva a "poupanças significativas", através das sinergias criadas, nomeadamente com as compras de equipamentos e de medicamentos, acrescentou, sem especificar valores.

Os mercados de saúde português e espanhol "são diferentes, o seu mix de clientes tem características próprias, mas temos condições de uniformização de margens quando as sinergias entre os dois parceiros estiverem a funcionar", explicou Salvador de Mello, quando questionado pelos jornalistas acerca das margens praticadas em cada país.

Tanto Salvador de Mello como a conselheira delegada do grupo espanhol, Maria Cordon, salientaram a possibilidade de partilhar conhecimento e experiências na área clínica, como em acções de formação médica.

Já a presidente do grupo Quirón, Pilar Muro, frisou no seu discurso de inauguração esperar que o grupo português "se sinta tão satisfeito com esta parceria" como os responsáveis da empresa espanhola.

Para já, não existe "troca" de profissionais médicos entre as unidades hospitalares Quirón, em Espanha, e CUF, em Portugal, referiu Salvador de Mello.

Mas, a utilização das alternativas de doentes portugueses do grupo José de Mello Saúde puderem deslocar-se a unidades Quirón, e de pacientes espanhóis se dirigirem aos hospitais portugueses do grupo nacional "vai acontecendo cada vez mais", avançou.

O grupo José de Mello Saúde quer continuar a apostar no sector em Portugal, tanto com unidades privadas, como concorrendo a parcerias público/privadas, uma área onde refere que já foi investido "muito dinheiro" na preparação das propostas e em estudos, tanto que "já dava para construir outro CUF Descobertas".

A aquisição de 38 por cento do grupo Hospitalario Quirón pela José de Mello Saúde concretizou-se há um ano atrás e o seu presidente mantém o segredo relativamente ao valor pago no negócio.

Desde essa altura, o Quirón já inaugurou um hospital em Madrid e dia 14 de Julho entra em funcionamento o Quirón Barcelona, substituindo a Clínca Quirón, depois de três anos de obras.

A nova unidade ocupa uma área de 56.620 metros quadrados, distribuída por 16 pisos, o que a faz ser um dos hospitais com maior capacidade da capital catalã, tem 20 blocos operatórios, 252 camas, 160 consultórios, 50 especialidades e serviço de urgências 24 horas.

Com mil funcionários, entre pessoal administrativo e clínico, incluindo os colaboradores ou contratados ou "pessoal externo", o novo hospital recebeu um investimento de 100 milhões de euros, dos quais 25 milhões destinados a aquisição de novos equipamentos médicos, numa aposta em tecnologia avançada.

Entre os serviços que oferece, o Quirón Barcelona tem internamento de saúde mental, hospital de dia oncológico e cirúrgico.

O grupo José de Mello Saúde registou um volume de negócios de 301,1 milhões de euros no ano passado, o que representa um crescimento de 12,5 por cento face a 2005, gere mais de mil camas hospitalares, em três hospitais, CUF Infante Santo, CUF Descobertas e o Amadora Sintra, resultado de uma parceria público/privada, a que se juntam outros estabelecimentos na área de prestação de serviços de saúde.

O grupo Quirón tem seis hospitais, com o novo de Barcelona, e regista uma facturação de 95 milhões de euros.

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