Grupo Rangel elege Angola como base para internacionalização na África subsaariana

Lisboa, 30 Nov (Lusa) - Angola vai ser a principal base para o grupo Rangel levar a FedEx, um dos maiores grupos internacionais de transporte de carga expresso, a conquistar os mercados da África subsaariana, afirmou hoje o presidente do grupo português.

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"O grupo Rangel, através da empresa Rangel Express Angola, que representa a FedEx neste país, elegeu Angola com o objectivo de criar um grande `hub` para entrar nos países da costa atlântica da África subsaariana", disse à agência Lusa Eduardo Rangel.

O gestor explicou ainda que a estratégia da Rangel é fazer de Angola uma base de saída para África: "partir de Lisboa, passar por Luanda, e ligar a capital angolana aos países mais ricos da África subsaariana".

"Como temos muitos voos, Lisboa é uma boa plataforma de ligação da Europa e do continente americano a Luanda", esclareceu.

O Congo, Gabão, Camarões, República Democrática do Congo, Guiné Equatorial, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe são os países onde será construída uma rede de plataformas FedEx que estarão ligadas ao "hub" em Angola.

"A decisão ideal é criarmos uma rede de plataformas para serviços de transportes expresso FedEx com um intervalo de tempo de aproximadamente de seis em seis meses", sublinhou o empresário.

Como a FedEx quer criar em África uma rede mais forte, sobretudo na África atlântica subsaariana, escolheu a Rangel como parceiro para concretizar este projecto, o qual também se encaixa na estratégia internacional do grupo português, fundado há 27 anos.

"É para nós [grupo] um desafio investir na expansão internacional em África ao criarmos plataformas Fedex na África subsaariana, em países próximos de Angola e ao longo da costa Atlântica", salientou Eduardo Rangel.

O empresário reconheceu igualmente que a economia angolana está a crescer na ordem dos dois dígitos por ano, tem um dos mais elevados crescimentos do mundo, e apresenta uma inflação e taxas de juro que dão sinais de estarem controladas.

No entanto, alertou para as dificuldades existentes em Angola no recrutamento de recursos humanos qualificados, falta de treino e formação profissional, nomeadamente nas áreas da logística, planeamento e gestão portuária.

Nesse sentido, o grupo estuda criar em Luanda uma escola profissional no sector da logística e transporte, embora esteja actualmente a dar formação técnica ao pessoal que está trabalhar neste país.

"Angola tem-se mostrado para nós um mercado de sucesso, há dificuldades, não é fácil, mas é preciso lá ir com a perspectiva de desenvolvimento económico futuro", justificou.

Nesse sentido, destacou o facto de Angola ter sido escolhida estrategicamente para funcionar como "hub" e realçou a existência de um grande movimento de mercadorias no país.

"Notámos que há grandes necessidades por parte deste mercado a este nível e, por isso, o grupo Rangel vai continuar a apostar em força num projecto sustentado, de médio e longo prazos", disse o empresário.

O grupo Rangel pretende ainda entrar no mercado de distribuição doméstico de grandes volumes e está igualmente a negociar com a empresa SAL/Angola - Sociedade de Aviação Ligeira para levar por diante as operações Fedex no país.

"Já ocupámos parte das suas instalações [1.000 metros quadrados (m2)] no aeroporto de Luanda para fazer operações de gestão de stocks de armazéns e criarmos o primeiro terminal público para as operações aéreas de carga expresso FedEx", adiantou.

Está também previsto abrir até ao final do ano uma filial em Cabinda, e no primeiro semestre de 2008, as filiais no Soyo e Lobito: "já Benguela se verá!", disse à Lusa Eduardo Rangel, adiantando que o grupo vai operar igualmente no transporte marítimo de carga.

"Até ao final do primeiro semestre de 2008 o projecto [no seu conjunto] estará consolidado, já com as filiais e com o terminal aéreo aduaneiro a funcionar em pleno", salientou.

Eduardo Rangel referiu também à Lusa que o grupo já investiu 2 milhões de euros em Angola e vai canalizar mais fundos (entre 6 a 7 milhões de euros), para a compra de um terreno e construção de uma plataforma logística, que terá um terminal de 10.000 metros quadrados, mas que terá capacidade de expansão.

"A plataforma situar-se-á no pólo industrial próximo de Luanda, vai funcionar como entreposto aduaneiro, onde se realizará a desconsolidação de contentores do porto e far-se-á o seu desalfandegamento", adiantou.

O empresário admitiu que este projecto de entreposto aduaneiro público, o primeiro em Angola, deverá estar concluído até 2010.

No país, o grupo possui duas empresas, a Rangel Express Angola (constituída após a compra da empresa local Expresso Cargo), que representa a FedEx em Angola e a Rangel Internacional Angola (transitária).

No final deste ano, o grupo Rangel prevê crescer na ordem dos 23 por cento em volume de negócios face a 2006, para os 100 milhões de euros.

Este acréscimo na facturação do grupo inclui Angola (3,5 milhões de euros) e Espanha (na ordem dos 4 milhões de euros).

Fundado há 27 anos, o grupo Rangel é constituído por 11 empresas, emprega 900 colaboradores e conta com a parceria da norte-americana FedEx desde 1999.

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