Guiné-Bissau "ganha muito pouco" com a venda de licenças de pesca

por Lusa

O presidente da Associação Nacional dos Armadores e Industriais de Pesca da Guiné-Bissau (ANAPI), Alberto Pinto Pereira, defendeu que o país "ganha muito pouco" com a política de venda de licenças de pesca, defendendo que esta situação deve acabar.

Em entrevista à agência Lusa, o líder da ANAPI, criada em 2016, juntando sobretudo empresários guineenses do setor das pescas, apresentou o que disse serem "números irrisórios" da atual contribuição das pescas no Orçamento Geral do Estado.

"A Guiné-Bissau ganha 4,7 mil milhões de francos CFA (cerca de sete milhões de euros) por ano. Com o nosso projeto (da associação) uma única empresa, com seis barcos de pesca, uma unidade que possa conservar e tratar para exportação 20 toneladas diárias, só uma empresa, representa 3,5 mil milhões de francos CFA (cerca de cinco milhões de euros)", de receitas, observou Pinto Pereira.

O presidente da ANAPI notou que se está a falar de "quase toda a venda anual de licenças de pesca" da Guiné-Bissau.

Alberto Pinto Pereira desafiou o Estado guineense a acompanhar a visão da sua associação e instou o Ministério das Pescas a ser ambicioso nas metas conforme as propostas da ANAPI.

"Dizem que somos ambiciosos, temos orgulho em sermos ambiciosos", referiu, sublinhando que o setor das pescas "está ignorado" na Guiné-Bissau devido à forma como é visto pelas autoridades, frisou.

Alberto Pinto Pereira afirmou que não tem dúvidas de que em cinco anos, dentro da visão definida pela ANAPI, as pescas serão a primeira economia da Guiné-Bissau, desde que, avisou, tudo se faça em total transparência no próprio Ministério das Pescas.

"Olhar mais para as pescas, para que aquele ministério não seja uma construção basáltica, mas que seja uma construção de vidro para que todo o cidadão, todo o ator de pesca se reveja e sinta que tem todas as condições, todos os instrumentos para que desenvolvamos bem a nossa atividade", vincou Pinto Pereira.

 

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