Hipermercados começam a vender artigos exóticos de países pobres

A Associação de Comércio Justo vai apresentar um projecto aos hipermercados portugueses para venderem artigos exóticos produzid os em países pobres por trabalhadores não explorados e respeitando o ambiente, a cabando com o "exclusivo" do pequeno comércio alternativo.

Agência LUSA /

à semelhança do que já acontece um pouco por toda a Europa, Portugal ta mbém quer alargar o mercado de venda de produtos de "comércio justo" a um públic o mais vasto, que normalmente opta pelas grandes superfícies para fazer compras.

Nascido na década de 60 na Holanda, o "Comércio Justo" é uma parceria c omercial entre os países do norte do planeta e os países pobres do sul destinada a garantir que os trabalhadores não foram explorados e que foi respeitado o mei o ambiente e a sua produção.

Em Portugal, o "selo" de produto justo surgiu apenas há oito anos, mas já conta com a adesão de meia centena de lojas, que representam um volume de neg ócios de cerca de 250 mil euros anuais, de acordo com dados da Associação de Com ércio Justo.

Agora, o objectivo é alargar fronteiras para que mais consumidores port ugueses possam comprar artesanato e produtos alimentares produzidos em condições dignas no sul do planeta.

A missão mantém-se: ajudar os mais pobres.

"As grandes superfícies fazem parte da nossa estratégia e contamos inic iar os contactos ainda este ano, mas este é um assunto muito complicado, porque não passa apenas por pôr os produtos à venda, mas sim por algo complexo que obri ga a uma série de regras", explicou Miguel Pinto, responsável da Associação de C omércio Justo (ACJ).

É que ao aderir, os vendedores passam a estar responsáveis pela divulga ção do projecto, através de acções de promoção e campanhas de desenvolvimento do s produtos.

Apesar das apertadas regras, dois hipermercados - Carrefour e Auchan - "já começaram a fazer testes para ver se o público português aceita bem estes pr odutos", disse à agência Lusa Miguel Pinto, referindo-se às lojas de Telheiras e de Almada, onde algumas prateleiras vendem apenas produtos "que colocam as pess oas à frente do lucro".

Apesar de reconhecer que as grandes superfícies são um forte aliado, Mi guel Pinto sublinha que a "estratégia principal" da Associação de Comércio Justo passa pelo desenvolvimento das Lojas do Mundo.

A beleza das cores e a variedade de formas das peças de artesanato embe lezam as 12 "Lojas do Mundo" portuguesas que vendem produtos alimentares como ch ás, compotas, bolachas e cafés exóticos.

Além destas lojas, existem outros 35 espaços comerciais espalhados por todo o país que reservaram um cantinho para expor produtos justos.

No entanto, Miguel Pinto acredita que "vai acontecer em Portugal o que já se passa na Europa, onde existem cerca de 70 mil supermercados e cerca de trê s mil lojas a vender produtos de comércio justo".

As Lojas do Mundo europeias vendem produtos oriundos de mais de 800 coo perativas, que representam cerca de um milhão de agricultores e artesãos de comu nidades de aldeias pobres, de países subdesenvolvidos, que se organizaram para a lcançar uma forma de produção que isoladamente não teriam.

Neste âmbito, a Associação de Comércio Justo está a preparar um outro p rojecto: a criação de uma importadora nacional, que fomente a entrada no "circui to justo" de cooperativas nos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portugue sa).

"Existe vontade e iniciativas que se poderão tornar concretas em 2007", disse à agência Lusa Miguel Pinto.

Hoje, o projecto cinquentenário é um sucesso de acordo com os dados da Organização Internacional do Selo Comércio Justo (Fairtrade Labelling Organisati on Internacional), que refere terem sido transaccionados em todo o mundo produto s no valor de 1.100 milhões de euros apenas no ano passado.

Em 2001, existiam na Europa, América do Norte, Japão, Austrália e Nova Zelândia cerca de 43 mil supermercados e outros 70 mil pontos de venda com produ tos de Comércio Justo.


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