Humberto Pedrosa diz nunca ter havido nada de concreto com Pais do Amaral sobre TAP

O presidente do grupo Barraqueiro afirma que na altura em que surgiu o convite de Pais do Amaral para se lançarem na compra da transportadora aérea nem sequer pensava ainda em envolver-se neste tipo de negócio.

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Foto: Antena 1

Em entrevista à jornalista da Antena 1 Rosário Lira e ao jornalista do Diário Económico Francisco Ferreira da Silva, gravada ainda antes de se conhecer a intenção de Miguel Pais do Amaral de processar o dono da Barraqueiro, este refere que na altura em que foi convidado acreditava que se tratava de um investimento muito arriscado.

“Na altura disse que vamos ver, mas também não houve desenvolvimento”, garante Humberto Pedrosa, que faz parte do consórcio que comprou 61 por cento da TAP.

O novo dono português da TAP considera que “pagar ao Estado 10 milhões foi muito dinheiro”. Para Humberto Pedrosa o Estado fez um bom negócio, porque “a TAP vale metade da dívida que tem”.

Considerando que o consórcio Gateway assume a totalidade da dívida, que é de mil milhões de dólares, Humberto Pedrosa adianta que no fundo está a pagar ao Estado 500 milhões de euros, ou seja, metade da dívida, considerando o real valor da empresa.

Sucesso da TAP é objetivo

Nesta entrevista, Humberto Pedrosa assume que houve um tempo em que pensou que a empresa deveria continuar a ser pública tendo uma gestão privada, mas com o passar dos anos percebeu que face à situação financeira a privatização era a única alternativa.

A sua ambição, adianta, foi sempre que a bandeira continuasse a ser portuguesa e mesmo antes de pensar em concorrer à privatização defendia que os grupos portugueses deveriam concorrer à TAP.

Humberto Pedrosa afirma-se feliz e diz que sonha com o sucesso da transportadora aérea, acreditando que vai dar certo. O empresário admite que há risco, porque o endividamento é grande, mas acredita no seu parceiro e no projeto que tem.

A renegociação da dívida ainda não começou, mas vai ser feita e já há vários interessados. Humberto Pedrosa revela que há bancos e fundos de investimento estrangeiros e nacionais interessados em apoiar o consórcio neste processo, porque acreditam que a TAP é uma empresa viável.

Fernando Pinto pode ficar


O próprio Humberto Pedrosa acredita que já este ano a situação da empresa vai melhorar e que para o ano vai dar lucro. Para que isso aconteça considera que é urgente aumentar a receita e reduzir custos.

O investidor argumenta que reduzir custos é mais difícil, mas acredita que os diferentes departamentos certamente terão sugestões a fazer nesse sentido. A ideia é criar mais rotas, substituir outras, fazer alterações no interior dos aviões novos para ter mais passageiros e reduzir tarifas. Humberto Pedrosa quer oferecer pontualidade, segurança e simpatia.

Questionado sobre se a gestão da TAP será sua, ou seja, do parceiro europeu, Humberto Pedrosa assegura que a gestão será da equipa numa administração em que os pelouros serão divididos em função das participações e que vai contar com o representante do Estado. Adianta que conta com Fernando Pinto mesmo depois da transição, assim ele queira ficar.

Humberto Pedrosa, não sabe se a reversão do negócio obriga a uma indemnização, até porque não pensa muito nisso: “É uma coisa que não pensamos que possa acontecer”.

Disponível para falar com Costa

O português admite que se a reversão acontecer haja consequências, mas espera ter tempo até à luz verde de Bruxelas, para mostrar que a TAP já está noutra situação e no bom caminho, porque o que é importante é que “a bandeira seja nossa e isso está garantido”. De resto, está disponível para falar com António Costa se ele quiser falar come ele.

Humberto Pedrosa gostaria que a empresa pudesse ter tranquilidade externa e internamente para trabalhar. Aos trabalhadores promete diálogo, admite que se a empresa crescer até possa fazer novas contratações, e está disponível para distribuir dividendos, mas não promete milagres. Segundo o empresário, o que precisa é de tempo e estabilidade.
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