Economia
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Humberto Pedrosa diz nunca ter havido nada de concreto com Pais do Amaral sobre TAP
O presidente do grupo Barraqueiro afirma que na altura em que surgiu o convite de Pais do Amaral para se lançarem na compra da transportadora aérea nem sequer pensava ainda em envolver-se neste tipo de negócio.
Foto: Antena 1
“Na altura disse que vamos ver, mas também não houve desenvolvimento”, garante Humberto Pedrosa, que faz parte do consórcio que comprou 61 por cento da TAP.
O novo dono português da TAP considera que “pagar ao Estado 10 milhões foi muito dinheiro”. Para Humberto Pedrosa o Estado fez um bom negócio, porque “a TAP vale metade da dívida que tem”.
Considerando que o consórcio Gateway assume a totalidade da dívida, que é de mil milhões de dólares, Humberto Pedrosa adianta que no fundo está a pagar ao Estado 500 milhões de euros, ou seja, metade da dívida, considerando o real valor da empresa.
Sucesso da TAP é objetivo
Nesta entrevista, Humberto Pedrosa assume que houve um tempo em que pensou que a empresa deveria continuar a ser pública tendo uma gestão privada, mas com o passar dos anos percebeu que face à situação financeira a privatização era a única alternativa.
A sua ambição, adianta, foi sempre que a bandeira continuasse a ser portuguesa e mesmo antes de pensar em concorrer à privatização defendia que os grupos portugueses deveriam concorrer à TAP.
Humberto Pedrosa afirma-se feliz e diz que sonha com o sucesso da transportadora aérea, acreditando que vai dar certo. O empresário admite que há risco, porque o endividamento é grande, mas acredita no seu parceiro e no projeto que tem.
A renegociação da dívida ainda não começou, mas vai ser feita e já há vários interessados. Humberto Pedrosa revela que há bancos e fundos de investimento estrangeiros e nacionais interessados em apoiar o consórcio neste processo, porque acreditam que a TAP é uma empresa viável.
Fernando Pinto pode ficar
O próprio Humberto Pedrosa acredita que já este ano a situação da empresa vai melhorar e que para o ano vai dar lucro. Para que isso aconteça considera que é urgente aumentar a receita e reduzir custos.
O investidor argumenta que reduzir custos é mais difícil, mas acredita que os diferentes departamentos certamente terão sugestões a fazer nesse sentido. A ideia é criar mais rotas, substituir outras, fazer alterações no interior dos aviões novos para ter mais passageiros e reduzir tarifas. Humberto Pedrosa quer oferecer pontualidade, segurança e simpatia.
Questionado sobre se a gestão da TAP será sua, ou seja, do parceiro europeu, Humberto Pedrosa assegura que a gestão será da equipa numa administração em que os pelouros serão divididos em função das participações e que vai contar com o representante do Estado. Adianta que conta com Fernando Pinto mesmo depois da transição, assim ele queira ficar.
Humberto Pedrosa, não sabe se a reversão do negócio obriga a uma indemnização, até porque não pensa muito nisso: “É uma coisa que não pensamos que possa acontecer”.
Disponível para falar com Costa
O português admite que se a reversão acontecer haja consequências, mas espera ter tempo até à luz verde de Bruxelas, para mostrar que a TAP já está noutra situação e no bom caminho, porque o que é importante é que “a bandeira seja nossa e isso está garantido”. De resto, está disponível para falar com António Costa se ele quiser falar come ele.
Humberto Pedrosa gostaria que a empresa pudesse ter tranquilidade externa e internamente para trabalhar. Aos trabalhadores promete diálogo, admite que se a empresa crescer até possa fazer novas contratações, e está disponível para distribuir dividendos, mas não promete milagres. Segundo o empresário, o que precisa é de tempo e estabilidade.