Iene acentua queda face ao dólar sem intervenção das autoridades japonesas
A moeda japonesa, o iene, acentuou hoje a queda face ao dólar, sendo negociada na faixa das 162 unidades por dólar, o nível mais baixo em quatro décadas, reforçando as análises de que Tóquio tenciona tolerar a desvalorização.
Às 13:00, hora local (05:00 em Lisboa), o iene situava-se em 162,79 unidades por dólar, o nível mais baixo desde dezembro de 1986, continuando a queda durante as negociações na bolsa de Tóquio.
Um dos fatores que explicam a queda contínua da moeda nipónica são as expectativas de que a Reserva Federal (Fed) dos EUA opte por aumentar as taxas de juro na reunião de julho, reforçadas pela publicação, na terça-feira, de dados sobre as vagas de emprego disponíveis (inquérito Jolts) melhores do que o previsto.
As autoridades japonesas têm vindo a salientar nos últimos dias a intenção de tomar medidas "adequadas, a qualquer momento, e conforme necessário", tal como reiterou ontem o principal porta-voz do Governo do Japão, Minoru Kihara.
Por seu lado, a ministra das Finanças japonesa, Satsuki Katayama, sublinhou, depois de se ter reunido na semana passada com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, que Tóquio tomará medidas no mercado cambial "sempre que for necessário".
A ausência de medidas efetivas tem, no entanto, sido interpretada por alguns analistas como um indício de que as autoridades japonesas estão dispostas a aceitar uma maior desvalorização do iene face ao dólar.
"As autoridades japonesas reiteraram a disponibilidade para agir, caso fosse necessário, mas, uma vez que não foi tomada qualquer medida, só podemos concluir que não consideraram isso necessário», afirmou, numa análise, o diretor de estratégia de mercado da Bannockburn Capital Markets, Marc Chandler.
O Governo da primeira-ministra, Sanae Takaichi, e o Banco do Japão (BoJ) realizaram intervenções no mercado cambial entre abril e maio passados, o que provocou uma valorização da moeda japonesa de 160 unidades por dólar para 155 durante os primeiros dias de maio.
O efeito destas operações de estabilização, cujo montante ascendeu a 11,73 biliões de ienes (cerca de 63.000 milhões de euros), segundo o Ministério das Finanças japonês, foi, no entanto, reduzido, apesar de o BoJ ter aumentado, em meados de junho, as taxas de juro de referência de curto prazo para 1%, o nível mais elevado em mais de três décadas.