Igreja quer bolas de futebol produzidas por trabalho justo e em condições dignas
O Conselho Ecuménico das Igrejas (CEI) lançou hoje na cidade brasileira de Porto Alegre uma campanha pela produção de bolas de futebol "em condições de trabalho justas e dignas".
O lançamento da campanha ocorre cinco meses antes do início do Campeonato Mundial de Futebol, na Alemanha.
Martin Domke, um dirigente da Igreja Luterana Alemã da Renânia do Sul e Westfália, declarou à agência France Press que, "com o Campeonato do Mundo, as bolas de futebol vão ser vendidas às dezenas de milhão".
Estas bolas, acrescentou, "são produzidas geralmente em condições indignas, com trabalhadores pagos a 50 cêntimos de euro cada uma".
Mencionando o Paquistão como um país onde esta produção ocorre, Domke particularizou que estes trabalhadores, "conseguem fazer três a quatro bolas por dia, com as 32 costuras feitas à mão".
Depois de salientar que a campanha foi lançada na cidade natal de Ronaldinho [jogador de futebol actualmente no Barcelona], Domke defendeu a produção das bolas "em condições justas" e apresentou algumas feitas por operários a quem tinha sido pago pelo menos um euro por bola e que beneficiavam de "direitos sociais de um assalariado".
Porém, esta produção limitou-se a mil bolas.
Congratulou-se, não obstante, por "as bolas a utilizar no Campeonato do Mundo serem fabricadas sem esta forma de exploração, que chegou a incluir crianças, e - outro progresso - com recurso a máquinas".
Domke disse ainda que o CEI queria "sensibilizar as escolas, os treinadores e os dirigentes do futebol, para associar o amor ao jogo, o `fair play` com o `fair trade`" (comércio justo).
O CEI, que agrupa 347 igrejas, essencialmente protestantes, anglicanas e ortodoxas, está reunido desde terça-feira em Porto Alegre.