IL diz que "repressão não é aceitável nem resolve nada"
A líder da Iniciativa Liberal considerou hoje que a resposta ao "falhanço nas políticas públicas de habitação" não pode passar pelo uso de "força repressiva sob a forma de cassetete", numa crítica à intervenção policial nas manifestações pela habitação.
Numa publicação na rede social X, Mariana Leitão escreveu que a "repressão não é aceitável nem resolve nada".
"A única solução de um Estado que falha em quase tudo, perante quem protesta o falhanço nas políticas públicas de habitação, não pode ser usar a sua força repressiva sob a forma de cassetete", defendeu.
A líder liberal considerou que os protestos terminarão quando os problemas estiverem resolvidos e que isso implica o fim "das políticas incompetentes de políticos de gestão de situação, sem coragem, que rejeitam as propostas para aplicar soluções comprovadas".
Mariana Leitão afirmou também que os manifestantes "têm a razão do seu lado", porque "quem governou o país até aqui falhou de forma clamorosa, não soube aplicar as medidas que permitiram mais construção, mais casas no mercado para arrendar, preços mais baixos".
"A crise da habitação em Portugal é gravíssima e exige medidas de emergência", defendeu, indicando que a Iniciativa Liberal "luta há anos a explicar e a propor medidas para resolver o problema da Habitação, sem sucesso de implementação até agora".
A líder da IL lembrou que propôs uma reunião conjunta entre todos os líderes dos partidos com assento parlamentar, destinada a encontrar consensos para responder à crise da habitação, mas esse encontro acabou por não acontecer.
Mariana Leitão acusou os restantes partidos de preferirem "continuar a fazer o seu jogo partidário" e considerou que "os resultados da irresponsabilidade dos restantes partidos estão à vista: polarização, confronto, tensão crescente, nem uma solução".
A PSP dispersou hoje de madrugada, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.
Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.
Segundo a PSP, registaram-se, no total, 11 feridos, cinco em Lisboa e seis no Porto, e 31 detidos por desobediência (25 em Lisboa e seis no Porto). Em comunicado, a Acampada de Lisboa refere dezenas de feridos, 37 dos quais no Porto.
Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.
Lusa