IL pede saída da MAI por mostrar "completo desnorte" na gestão da crise
A presidente da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, defendeu hoje que a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, não tem condições para continuar no cargo após ter demonstrado um "completo desnorte" na gestão da crise causada pelo mau tempo.
Em entrevista ao canal Now, Mariana Leitão disparou críticas a vários membros do Governo, incluindo ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, que acusou de desvalorizar os primeiros relatos transmitidos desde o terreno, após a passagem da depressão Kristin.
"Foi esse o sentimento com que fiquei ao falar com pessoas em Leiria. Deram essa indicação, de que não estavam a ser ouvidas", frisou.
Mariana Leitão criticou também o vídeo divulgado nas redes sociais pelo ministro da Presidência, António Leitão Amaro, a "insensibilidade" do ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, e os avisos da Proteção Civil, que considerou serem "curtos" perante a força da tempestade prevista.
A líder da Iniciativa Liberal (IL) lembrou, no entanto, que em última instância o responsável direto é a ministra da Administração Interna, que é quem tutela a Proteção Civil.
"A ministra da Administração Interna não falou até sexta-feira, estava em parte incerta, aparecia nas fotos da Proteção Civil e depois veio dizer que fazia trabalho invisível", frisou.
Mariana Leitão considerou que Maria Lúcia Amaral revelou "ausência de comunicação e liderança" e mostrou "um completo desnorte e incapacidade total", apontando que está "sem condições de continuar no cargo".
Sobre as medidas do Governo já anunciadas para os locais afetados pelo mau tempo, Mariana Leitão considerou positivas por "pretenderem resolver" os problemas, mas lembrou que é necessário que passem do "anúncio à execução", lembrando que em outras alturas, como nos incêndios, estas nem sempre chegaram a tempo às pessoas.
Sobre o adiamento da votação para a segunda volta das presidenciais em zonas afetadas pelo mau tempo, a líder da IL lembrou que cabe aos municípios tomar a decisão e que é preciso compreender a situação em que se encontra a população.
"Nos outros sítios, que se realizem as eleições normalmente, parece o mais avisado tendo em conta os constrangimentos que a própria lei impõe", acrescentou.
Doze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até 15 de fevereiro, abrangendo 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 de fevereiro para 68 concelhos, voltando hoje a ser prolongada até 15 de fevereiro.