Inapa disponível para concentração com empresa europeia
A Inapa está disponível para um movimento de concentração com uma empresa europeia congénere, afirmou hoje o administrador-executivo da empresa portuguesa de distribuição de papel.
Para Vasco Pessanha, que falava na apresentação dos resultados de 2004 da Inapa, a concentração é "natural" e "poderia ser uma maneira" de colmatar a esperada venda da participação de 30 por cento da "holding" pública Portucel SGPS.
"É natural que a Inapa faça parte do movimento de concentração" entre as principais distribuidoras europeias, que tem vindo a intensificar-se nos últimos anos, afirmou o presidente da empresa.
O parceiro ideal, para o executivo, seria um que oferecesse "complementaridade", quer alargando a presença a novos mercados, quer "dentro dos mercados onde a Inapa já actua", como Espanha, França, Alemanha, Reino Unido ou Itália.
Segundo Vasco Pessanha, a Inapa poderá participar no processo como empresa consolidada ou consolidadora.
A operação, adiantou, não está ainda a ser preparada, mas o assunto é abordado "em conversas à volta de um café".
"Tudo é possível, há várias hipóteses de ligação" a outras empresas do mercado de distribuição de papel, afirmou hoje.
Presente em nove países europeus e líder de mercado em Portugal com uma quota de cerca de 50 por cento, a Inapa é actualmente o quarto maior distribuidor europeu, em posição de igualdade com a MAP, do grupo M-Real.
Os líderes de mercado são a australiana Paperlinx, a francesa Antalis e a Igepa, sedeada na Alemanha.
Para Pessanha, dada a situação do mercado, é inevitável que "dentro de alguns anos apenas exista metade da meia dúzia de grandes distribuidores" que actualmente lideram o mercado.
A concentração é o movimento natural porque, depois de alguns anos de retracção de vendas, "ninguém [entre os principais distribuidores] tem capitais para se abalançar à compra de outro", referiu.
Segundo o responsável da Inapa, o processo de venda da participação da Portucel SGPS, que vai ser dissolvida, está actualmente estagnado.
A participação do Millenium BCP, cerca de 19 por cento, já foi considerada não estratégica pelo banco, mas Vasco Pessanha acredita que a venda da mesma não está ainda em curso.
Este ano, a Inapa admite partir para novas aquisições, mas apenas que permitam reforçar a sua posição nos mercados onde já actua.
Em meados do ano passado, a Inapa fundiu a sua filial suíça com a Baumgartner Papier, o que lhe permitiu duplicar a dimensão das suas operações neste país.
O lucro da distribuidora quadruplicou em 2004, para 4,25 milhões de euros, graças à melhoria dos resultados operacionais, e diminuição das amortizações e custos financeiros.
As vendas em toneladas aumentaram oito por cento, 6,4 por cento descontando a consolidação da Baumgartner, e 0,8 por cento em valor, para 1,06 mil milhões de euros.