Incentivos do Governo provocam corridas às reformas antecipadas
Quase oito mil funcionários públicos aposentaram-se, antes do 62 anos, desde Janeiro e até Agosto deste ano, superando os valores registados na totalidade de 2008, que contou com a saída antecipada de 6.215 funcionários públicos. Estes números podem justificar-se com os incentivos dados pelo Executivo à saída dos funcionários públicos pela via da aposentação.
Segundo o jornal, e tendo em conta os 2.831 processos pendentes, 2009 ficará para a história como um dos anos em que mais funcionários optaram por abandonar o serviço prematuramente. Se estes processos pendentes forem aprovados, até Dezembro, em 2009 as reformas antecipadas irão exceder o ano de 2003, quando 10.056 funcionários públicos se reformaram antecipadamente.
Uma medida legislativa, aprovada em 2003 pela ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, que anulava o diploma que permitia aos funcionários solicitarem a reforma com apenas 36 anos de serviço, independentemente da idade e sem ser necessário submeterem-se a uma junta médica, provocou que milhares de funcionários públicos de reformassem antes do previsto.
A introdução de uma penalização, de 4,5 por cento por cada ano de antecipação da aposentação, levou a que em 2004 e 2005 se registassem os números mais baixos de sempre. Em 2004 foram 1.884 os funcionários públicos que se reformaram antes do tempo, em 2005 apenas 1.576 o fizeram.
Em 2006, numa altura em que o Governo discutia o aumento da idade legal para a reforma na função pública numa tentativa de a aproximar com o regime privado, o número de funcionários públicos que solicitaram a reforma por antecipação, com o objectivo de tentarem escapar às novas regras, voltou a aumentar com 7.235 funcionários a aposentarem-se antecipadamente.
As regras do Governo, que entraram em vigor em 2008, reduzem o limite mínimo de anos de serviço de 36 (em 2007) para 33 em 2008. Em 2009, o limite é de 30 anos de serviço e um mínimo de 62 anos de idade. Nos anos seguintes o limite de serviço mantém-se nos 30 anos mas o limite de idade vai aumentando 0,5 anos até atingir, em 2015, os 65 anos de idade.
Um dos objectivos do Executivo de José Sócrates é reduzir o número de funcionários públicos e a aposentação é uma das vias parta atingir essa meta. Dados do Ministério das Finanças revelam que em Outubro de 2008 existiam 696.394 funcionários públicos, menos 51.500 do que em 2005 quando o actual Governo tomou posse.