Industriais de carnes defendem que o semáforo nutricional pode criar problemas de concorrência

Lisboa, 12 dez (Lusa) -- A Associação Portuguesa dos Industriais de Carnes (APIC) defendeu hoje que a introdução de um semáforo nutricional nos produtos portugueses pode criar situações de concorrência desleal, sublinhando que o Governo deve aguardar pela posição de Bruxelas.

Lusa /

"Podemos estar a criar [em Portugal] um sistema obrigatório que não o é para outros países que colocam os seus produtos no mercado. Devíamos aguardar a posição da Comissão Europeia sobre esta matéria", disse a diretora executiva da APIC, Laurentina Pedroso, durante uma audiência na comissão parlamentar de Agricultura e Mar.

Para a representante, a aprovação do projeto do BE pode colocar em causa "o espírito de livre circulação na União Europeia".

Durante a ronda de intervenções parlamentares, o deputado do BE Jorge Falcato defendeu que a proposta visa criar "uma forma simples de acesso a dados que já estão rotulados, mas que têm uma leitura mais complexa".

Por sua vez, o deputado do PSD António Ventura, alertou que existem custos associados à inclusão de um semáforo nutricional nos produtos.

"Não vejo com maus olhos que exista essa informação, mas se a União Europeia está a trabalhar nesta matéria, naturalmente que estará associada alguma forma de apoio", considerou.

Já Palmira Maciel do PS sublinhou que a qualidade da alimentação é "um fator decisivo" na sociedade moderna.

Em resposta às intervenções dos deputados, Laurentina Pedroso disse que a inclusão do sistema pressupõe que os consumidores estejam informados sobre o mesmo, uma vez que a tomada de decisão está "no momento de comprar".

A representante da APIC defendeu ainda a criação de um sistema de informação nutricional que não contenha uma descriminação por cores.

"As cores dos semáforos também nos assustam e um vermelho numa embalagem de manteiga não quer, propriamente, dizer que se deixe de consumir esse produto, mas, um consumidor que não saiba interpretar este sinal pensa que o vermelho é para parar", exemplificou.

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