INE explica a Passos que estatísticas obedecem a metodologias

A questão foi colocada numa das últimas aparições do primeiro-ministro Passos Coelho no Parlamento: o Instituto Nacional de Estatística tem explicações a dar relativamente “a revisões sensíveis sobre os seus próprios dados”. Em causa estavam revisões em alta dos números do desemprego e da recessão. O Instituto vem agora responder com a garantia de que faz um trabalho “credível e fiável”.

RTP /
Pedro A. Pina, RTP

O primeiro-ministro aproveitou o último debate quinzenal para deixar fortes críticas aos recentes acertos do Instituto Nacional de Estatística para os números do desemprego e da recessão. Pedro Passos Coelho deixou no ar a ideia de que algo de errado teria acontecido.
Alexandra André, Paulo Jorge e Carlos Felgueiras, RTP

Esta quinta-feira, em declarações à agência Lusa, fonte do Instituto refutou as acusações endereçadas pelo chefe do Executivo, para explicar que a correção nada tem de errado em estatística.“As estatísticas do INE são credíveis e fiáveis. Aceitando ser juiz em causa própria, o INE considera não existirem razões para colocar em causa a credibilidade e a fiabilidade das estatísticas oficiais portuguesas da sua responsabilidade”.

Limita-se, acrescentou o representante do INE, a integrar passado algum tempo informação que não estava disponível nessas primeiras informações disponibilizadas ao público e que, por norma, são assumidamente provisórias: “[As revisões dos dados são] parte integrante e inerente ao processo de produção estatística (…) as estatísticas são geralmente sujeitas a revisões, sobretudo originadas por nova informação sobre o passado que não foi possível integrar a tempo da divulgação anterior”.

Garantiu, nesse sentido, que “as estatísticas do INE são credíveis e fiáveis. Aceitando ser juiz em causa própria, o INE considera não existirem razões para colocar em causa a credibilidade e a fiabilidade das estatísticas oficiais portuguesas da sua responsabilidade”.

A mesma fonte do INE recordou ainda ao Governo que as suas estatísticas “são produzidas obedecendo aos 15 princípios do Código de Conduta para as Estatísticas Europeias no quadro do Sistema Estatístico Europeu (…) que são públicas”.

Nesse sentido, sublinha, respeita regulamentos e práticas metodológicas.
Os números da discórdia
"O INE, nos últimos meses, fez revisões sensíveis sobre os seus próprios dados (…) Não estamos em condições de formular uma explicação sobre o que se passou [com os dados que revêm em alta o desemprego], a revisão foi sensível. O INE não pode rever uma estatística destas sem apresentar um fundamento sério para essa decisão" - foi com estas declarações em pleno hemiciclo que o primeiro-ministro abriu um diferendo com o INE. Marco António na RTPO vice-presidente do PSD fez eco das críticas do chefe do Executivo pondo em causa "a fiabilidade" dos números do INE.

"Não é um problema de independência, é de fiabilidade. Não tenho dúvidas da independência do INE, gostava era que os dados que o INE comunica fossem fiáveis e fossem 100% percetíveis".

"Começam a ser curiosos estes erros sistemáticos do INE", afirmou Marco António Costa.


Uma frente de batalha a que se juntaram, nas fileiras de Pedro Passos Coelho, outras figuras do Governo, bem como os partidos que asseguram a maioria.

Estava em causa – nos números do INE do mês de março – a revisão em alta do da taxa de desemprego relativa a Janeiro de 2015, dos 13,3% divulgados em Janeiro para os 13,8% corrigidos em Março. Para 2012, o INE tinha estimado uma recessão de 3,2%, apontando o mês passado, conhecidas as contas finais daquele ano, para uma contração de 4%.

Já em janeiro, o INE havia revisto os dados do desemprego de novembro, de 13,9% para 13,5%, na altura sem qualquer crítica do Executivo.

Em relação ao desemprego, o INE explicou à Lusa que desde novembro de 2014 que os dados “correspondem a trimestres móveis centrados nos meses de referência e são calculados (...) com base em informação incompleta”. Assim, as estatísticas para um dado mês, divulgadas no final do mês seguinte, são provisórias, podendo o valor ser “substituído na divulgação” posterior “pelo seu valor definitivo”.
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