Inflação anual no Irão aumentou 44,6% após protestos

Inflação anual no Irão aumentou 44,6% após protestos

A inflação anual no Irão aumentou 44,6% em geral e 89,9% no caso dos alimentos, após os protestos que eclodiram devido à deterioração da situação económica, há menos de um mês, e que têm sido reprimidos pelo Estado.

Lusa /
Samiullal Popal - EPA

O Centro de Estatísticas do Irão informou hoje que a inflação no mês iraniano de Dey (entre meados de dezembro e meados de janeiro) aumentou 2,4% em relação ao mês anterior, ultrapassando os 44,6% anuais.

Indicou ainda que a inflação homóloga subiu 60% neste período temporal, em comparação com o mesmo período do ano passado, registando um salto de 7,4% em relação ao mês anterior.

"Isto significa que as famílias, em média, devem gastar 60% mais do que no mesmo período do ano passado para comprar um conjunto determinado de produtos e serviços", indicou o Centro de Estatísticas.

O maior aumento ocorreu no caso de alimentos e bebidas, cujos preços subiram 89,9% em um ano.

A deterioração económica ocorreu num contexto de protestos que começaram no final de dezembro em Teerão devido ao aumento dos preços e à contínua desvalorização da moeda local e que se espalharam rapidamente por todo o país, assumindo um tom político contra a República islâmica.

As manifestações atingiram o seu auge nos dias 08 e 09 de janeiro, mas foram reprimidas com dureza pelas forças de segurança.

As autoridades iranianas classificaram os protestos como terrorismo e responsabilizaram os Estados Unidos e Israel. Estimaram mais de 3.100 mortos, enquanto as organizações não governamentais como a HRANA, com sede nos EUA, relatam 5.495 mortos.

A Amnistia Internacional denunciou a forte repressão estatal e classificou o que aconteceu nos protestos como um "massacre".

 

 

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