Instabilidade não afecta, no médio prazo, sistema de protecção social - ministro Vieira da Silva
Lisboa, 25 Out (Lusa) - A actual crise financeira internacional não vai afectar a médio prazo o sistema de Segurança Social vigente em Portugal, "embora afecte a vida de todos", disse hoje o ministro do Trabalho e da Segurança Social.
José António Vieira da Silva, que falava aos jornalistas no final de uma conferencia internacional sobre "A Economias Social", promovido pela Universidade Católica, em Lisboa, salientou a importância das mudanças registadas nas últimas décadas nas sociedade modernas, "que permitiram minimizar os efeitos de crise".
"Uma das mudanças que se operaram nas últimas décadas nas sociedades modernas é a existência de modelos de protecção social que estão perfeitamente defendidos e que têm capacidade de se adaptarem a estas conjunturas", afirmou Vieira da Silva.
"Quando estes modelos não existiam, as coisas eram muito mais duras e tinham tendência a prolongar-se por muito mais. No entanto, temos de estar atentos, de acompanhar a situação e não podemos minimizar os efeitos negativos desta instabilidade internacional. Mas não creio que ponham em causa o essencial do nosso modelo de protecção social", sustentou.
Vieira da Silva desdramatizou, por outro lado, os efeitos da crise na não concretização da meta do governo em criar 150 mil novos postos de trabalho durante a actual legislatura, considerando que há "outras questões nacionais mais importantes".
"Acho que as questões que estamos a viver, do ponto de vista internacional, são de uma grandeza de tal ordem que o assunto da meta fixada em 2005 é uma questão que podemos continuar toda a vida a questionar. Mas as grandes questões nacionais não são essas. Passam sim por responder à crise internacional que estamos a viver", defendeu.
"Se o desemprego aumentar ou se as metas da criação de emprego não forem atingidas, o problema é do desemprego aumentar e de não criarmos o emprego que necessitamos. Não é tanto a questão da meta. Mas é mais difícil hoje do que era há uns meses atrás, quando a nossa economia estava a crescer e a recuperar de forma clara e ainda a criar empregos de formas mais acentuada. Hoje, é mais difícil", acrescentou.
Para Vieira da Silva, Portugal está, porém, em condições de "reagir" à crise e aos seus efeitos, necessitando-se, nesse sentido, de "mobilizar as forças para agir e garantir a confiança dos cidadãos e das empresas".
JSD.
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