Investimento britânico de 180 ME em Mértola poderá arrancar em 2009
*** Luís Miguel Lourenço, agência Lusa ***
Mértola, Beja, 10 Ago (Lusa) - A construção do primeiro empreendimento turístico no concelho alentejano de Mértola poderá arrancar em 2009, num investimento britânico de 180 milhões de euros, que prevê seis aldeamentos, um aparthotel e campo de golfe.
O empreendimento, promovido pela subsidiária portuguesa da sociedade imobiliária britânica Mount Eden Golf & Country Club Ltd., deverá nascer na Herdade do Cerro Alto, com quase 236 hectares e situada perto da povoação de Diogo Martins, na freguesia de São Miguel do Pinheiro.
Os projectos de informação prévia do empreendimento e do campo de golfe, já com declarações de impacte ambiental favoráveis, foram aprovados quarta-feira por unanimidade pelo executivo camarário de Mértola, adiantou hoje à agência Lusa o presidente do município, Jorge Pulido Valente.
No entanto, frisou hoje à Lusa Marques Lapa, da equipa técnica responsável pelo complexo, "ainda falta uma etapa fundamental" para a concretização efectiva do Mount Eden Golf & Country Club em Mértola, ou seja, a avaliação de impacte ambiental e posterior emissão de declaração favorável ao projecto de construção da barragem, adução de água e sistema hídrico dos lagos necessários para regar o campo de golfe.
A declaração favorável àquele projecto será "fundamental", porque sem o campo de golfe o empreendimento turístico "dificilmente será construído", admitiu o técnico, referindo que foi entregue, quarta-feira, à Câmara de Mértola, que por sua vez irá encaminhar à Agência Portuguesa do Ambiente, a revisão do estudo de impacte ambiental e os estudos prévios da barragem, adução de água e sistema hídrico dos lagos para regar o campo de golfe.
Mas, Marques Lapa e o promotor do projecto acreditam que a emissão da declaração de impacte ambiental favorável e a posterior aprovação pela Câmara de Mértola do projecto de rega do campo de golfe poderão acontecer "até ao final deste ano".
A confirmar-se esta expectativa, segue-se a elaboração e posterior aprovação pela Câmara dos projectos de execução, adiantou o técnico, admitindo que, "se tudo correr bem" e "na melhor das hipóteses", a construção do empreendimento poderá começar "em 2009, provavelmente entre o Verão e o final do ano".
Segundo as previsões do estudo económico, a construção do complexo deverá prolongar-se por oito anos, mas, "como está sujeita às leis do mercado, poderá ser reduzida para quatro anos, caso o empreendimento seja um sucesso", admitiu o responsável.
As componentes hoteleira e turístico-residencial do empreendimento prevêem a construção, ao longo de 19 hectares, de seis aldeamentos turísticos e de um aparthotel, todos de quatro estrelas e com um total de 605 unidades habitacionais e 3.000 camas, divididas por 234 apartamentos, 136 moradias em banda, 78 moradias geminadas e 157 moradias isoladas.
O empreendimento inclui também a construção de um campo de golfe de 18 buracos com quase 46 hectares e zonas adjacentes de cerca de 50 hectares, além de outros equipamentos desportivos, como um clube e uma academia de golfe, um clube de ténis e outro de bowling, um centro hípico, uma ciclovia e várias piscinas colectivas.
A reflorestação de 53 hectares, espaços verdes públicos e privados, num total de 46 hectares, oito lagos artificiais, uma unidade de saúde, um pavilhão multiusos, zonas comerciais, restaurantes, minimercados, parques infantis, um heliporto, um posto de abastecimento de combustível com oficina e uma Estação de Tratamento de Águas Residuais, com reutilização da água tratada para regar espaços verdes, são outras das infra-estruturas previstas.
As práticas de golfe, de bowling e de ténis, os passeios a cavalo e o cicloturismo num "ambiente calmo" são os principais atractivos turísticos do empreendimento destinado sobretudo a turistas de classe média e apreciadores de turismo de natureza associado ao golfe, explicou Marques Lapa.
As "condições climáticas óptimas para a prática do golfe durante todo o ano" e a "calma da zona, longe de reboliço do Algarve e das grandes cidades" foram as principais razões apontados pelo responsável para justificar a escolha do concelho de Mértola para a construção do empreendimento.
O promotor estima que o Mount Eden Golf & Country Club em Mértola poderá gerar cerca de 300 novos postos de trabalho directos e entre 600 a 700 indirectos ou induzidos, indicou o técnico.
Em declarações à Lusa, o autarca de Mértola regozijou-se hoje com o avanço do empreendimento, "fundamental" para "dinamizar as potencialidades turísticas" e "desenvolver a economia" do concelho, "através da criação de emprego e consequente fixação de população".
"O projecto parece estar agora no bom caminho da efectiva concretização", disse Jorge Pulido Valente, lembrando que o processo do empreendimento já se arrasta há 17 anos, desde que a primeira intenção de investimento foi apresentada, em 1991, por outro promotor à Câmara.
Na altura, o projecto inicial, em fase de estudo preliminar, foi aprovado pela Câmara e ficou contemplado no Plano Director Municipal (PDM) de Mértola como área turística de classe de espaço urbanizável.
Mas, aquela aprovação caducou por não ter sido requerida, atempadamente, a aprovação dos projectos definitivos e o processo parou, sendo só retomado em 1998, quando o novo e actual promotor apresentou à Câmara de Mértola um pedido de autorização prévia, que ficou condicionado à apresentação dos estudos de impacte ambiental, o que aconteceu em 2003.
Seguiram-se vários avanços e recuos nos estudos e nas avaliações de impacte ambiental, alguns devido a alterações na legislação aplicável, que atrasaram o processo, disse o autarca.