Investimento estrangeiro no Brasil cai em junho para o menor nível em cinco anos

O Brasil recebeu 174 milhões de dólares (147,2 milhões de euros) de investimento estrangeiro no mês de junho, o valor mais baixo em 5 anos, anunciou hoje o Banco Central do país.

Lusa /

O valor foi também 30 vezes inferior ao registado no mesmo mês de 2020 quando o país recebeu 5,1 mil milhões de dólares (4,3 mil milhões de euros) em investimentos estrangeiros.

O investimento externo no Brasil de janeiro a junho somou 25,6 mil milhões de dólares (21,6 mil milhões de euros), um crescimento de 8,3% face ao primeiro semestre do ano passado, quando totalizou 23,7 mil milhões dólares (20 mil milhões de euros).

Apesar desta ligeira recuperação na comparação ano a ano, quando a pandemia assustou investidores e paralisou vários projetos de multinacionais no Brasil, o investimento estrangeiro direto no país em seis meses ficou abaixo dos resultados obtidos nos primeiros seis meses de 2019 (32,2 milhões de dólares ou 27,7 mil milhões de euros).

Apesar da queda acentuada dos investimentos no mês de junho, a previsão do Banco Central brasileiro é de que o valor aplicado por estrangeiros no país chegue a 4,7 mil milhões de dólares em julho (4 mil milhões de euros) e acumule um crescimento de cerca de 60 mil milhões de dólares (50,7 mil milhões de euros) até ao final do ano.

Se essas expetativas se cumprirem, o investimento estrangeiro voltará a subir no gigante sul-americano após ter caído em 2020 devido à pandemia de covid-19.

O órgão emissor esperava que o investimento estrangeiro em junho chegasse a 2,5 mil milhões de dólares (2,1 mil milhões de euros), mas esse saldo foi afetado por uma retirada atípica de 2,4 mil milhões de dólares (2 mil milhões de euros) em operações `intercompany`, ou seja, pelo envio de dividendos de subsidiárias para as suas controladoras no exterior.

Segundo o chefe do Departamento de Estatística do Banco Central, Fernando Rocha, a queda do investimento externo no país em junho foi pontual.

"É uma decisão que depende dos balanços das matrizes, da necessidade de elas fecharem positivamente ou aproveitarem o câmbio favorável. Portanto, tudo indica que essa queda foi fruto de um fenómeno específico", afirmou Rocha.

O Banco Central brasileiro anunciou ainda que o país registou um défice de 6,9 mil milhões de dólares (5,8 mil milhões de euros) nas suas transações externas no primeiro semestre de 2021, montante pouco menos do que metade do défice de 13,2 mil milhões de dólares (11,2 mil milhões de euros) registado no primeiro semestre de 2020.

Em junho, o Brasil obteve um excedente de 2,7 mil milhões de dólares (2,3 mil milhões de euros) no saldo em conta corrente, abaixo do saldo positivo de 3 mil milhões de dólares (2,5 mil milhões de euros) registado no mesmo mês do ano passado.

Junho foi o terceiro mês com excedente no saldo da conta corrente do país, resultado que refletiu a recuperação da economia brasileira após a queda histórica do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,1% em 2020.

De acordo com o Banco Central brasileiro, o défice do país nas transações externas acumulado em doze meses até junho de 2021 foi de 19,6 mil milhões de dólares (16,6 mil milhões de euros), o equivalente a 1,27% do PIB, ou seja, a menor percentagem dessa relação desde janeiro de 2018.

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