Investimentos chineses em África têm efeitos positivos
O Fundo Monetário Internacional (FMI) fez hoje uma defesa da relação económica entre a China e os países da África subsaariana, considerando que os investimentos chineses na região "têm consequências globalmente positivas nos resultados económicos".
"Há cada vez mais provas de que os investimentos chineses têm efeitos globalmente positivos nos resultados económicos do país destinatário", lê-se na nota técnica de análise da relação entre África e China, divulgada hoje durante a apresentação das Perspetivas Económicas Regionais para a África subsaariana, no âmbito dos Encontros Anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.
Na nota, os técnicos do FMI passam em revista a relação entre a China e a África subsaariana desde o início do século XX, concluindo que depois de um período de forte crescimento, o gigante asiático está agora a diminuir os investimentos na região, principalmente em infraestruturas, privilegiando os empréstimos comerciais.
"O crescimento dos fluxos de Investimento Direto Estrangeiro (IDE) da China foi impressionante, chegando a ser responsável por cerca de 23% dos fluxos de entrada de IDE (ou cerca de 3 mil milhões de dólares) na região em 2021", lê-se na nota, que salienta, no entanto, que o panorama está a mudar.
"Após anos de expansão, a África subsaariana começou a verificar, a partir de 2017, uma contração do investimento e da concessão de crédito chineses; no Fórum de Cooperação China-África de 2021, a China anunciou que iria reduzir pela primeira vez o apoio financeiro concedido à África, de 60 mil milhões de dólares, para 40 mil milhões, ao longo de um período de três anos", afirmam os técnicos do FMI.
Metade dessa redução, apontam ainda, "deveu-se a uma transição do financiamento direto de infraestruturas para uma maior oferta de crédito comercial, possivelmente devido a alterações nas prioridades políticas da China e ao aumento da vulnerabilidade da dívida de muitos países africanos".
Reforçar a resiliência e as reformas estruturais é a resposta do FMI à redução do financiamento chinês, através de reforço da integração comercial regional, reconstituição de reservas, promoção da diversificação económica e criação de um ambiente empresarial favorável, conclui o FMI.