Japão apela a comércio sem entraves após atrasos nas trocas com a China

O Japão apelou hoje a trocas comerciais "sem entraves" com a China, após notícias sobre atrasos nas importações de produtos nipónicos e na exportação de terras raras chinesas para o arquipélago, num contexto de crescentes tensões bilaterais.

Lusa /

"De um modo geral, é importante que a exportação de produtos agrícolas, florestais, piscatórios e alimentares japoneses para a China decorra sem obstáculos", afirmou o porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara, citado pela imprensa nipónica.

O responsável referiu que a mesma preocupação se aplica às terras raras, componentes cruciais para a indústria tecnológica, e alertou para "graves repercussões" que os controlos chineses às exportações têm causado nas cadeias de abastecimento globais.

Segundo a agência Kyodo, as exportações japonesas de alimentos e bebidas, incluindo saqué, estão a enfrentar atrasos na alfândega chinesa. A situação terá sido agravada por retaliações de Pequim após declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, que admitiu uma eventual resposta militar do Japão a um ataque chinês contra Taiwan.

Face a queixas de empresas afetadas, a embaixada japonesa em Pequim terá pedido às autoridades chinesas uma gestão transparente dos procedimentos aduaneiros.

Entretanto, a China anunciou esta semana uma investigação `antidumping` sobre importações do químico japonês diclorosilano - essencial à produção de semicondutores - e reforçou os controlos à exportação de "bens de dupla utilização" (civil e militar), categoria onde se incluem as terras raras.

O jornal Wall Street Journal noticiou que a China já começou a restringir exportações de terras raras "pesadas" e de ímanes que as contêm para o Japão.

A China detém um quase monopólio global na extração e refinação de terras raras - metais fundamentais para setores como energias renováveis, automóvel ou defesa - e fornece cerca de 70% das importações japonesas desses materiais, apesar das tentativas de Tóquio para diversificar fornecedores após um bloqueio temporário em 2010.

Em resposta às críticas, o porta-voz do ministério do Comércio da China, He Yadong, garantiu que os produtos de uso civil "não serão afetados" pelas novas medidas e que "não há motivo para preocupação" entre empresas envolvidas em comércio normal.

As tensões têm vindo a escalar na região: em dezembro, segundo Tóquio, aviões J-15 do porta-aviões chinês Liaoning apontaram por duas vezes o radar a aviões japoneses em águas internacionais perto de Okinawa (sul do arquipélago).

 

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