Japão escrutina fábricas da Mitsubishi após testes falseados

O Governo nipónico ordenou a vistoria de um dos principais centros de produção da marca, situado em Okazaki, na região central do Japão. As investigações decorrem um dia depois de a construtora ter admitido a manipulação de testes de emissões em mais de 625 mil veículos. Na Bolsa de Tóquio, a queda das ações ultrapassou esta quinta-feira os 20 por cento.

Andreia Martins - RTP /
Toru Hanai - Reuters

O Ministério dos Transportes do Japão ordenou quinta-feira a vistoria das oficinas da Mitsubishi Motors em Okazaki, o segundo maior centro de produção e pesquisa, na sequência das recentes revelações de fraude por parte da empresa.  

Na quarta-feira, a fabricante japonesa de automóveis admitiu a manipulação nos testes de poupança de combustível em alguns dos seus modelos. Em conferência de imprensa, Tetsuto Aikawa, o presidente do grupo, pediu desculpa "a todos os clientes e outras partes afetadas".
 
Segundo avançam a BBC e a estação pública japonesa NHK, o Governo japonês exigiu à empresa um relatíorio sobre a manipulação de dados, que terá de ser entregue ao Ministério dos Transportes até à próxima semana, no máximo até dia 27 de abril. O caso abrange também outras empresas do setor, a quem foi pedido a entrega de um documento sobre os métodos utilizados nos testes de eficiência. 

Yoshihide Suga, ministro adjunto do Japão, revela que o Governo está atento a este caso. "Vamos lidar com este caso de forma rigorosa e queremos assegurar a segurança dos carros", acrescenta.  Eficiência dos veículos foi falsificada 
Os responsáveis da Mitsubitshi Motors revelaram na quarta-feira que houve alteração na pressão de ar dos pneus de forma a alterar a eficiência dos veículos. Dessa forma, os modelos visados, mais tarde também comercializados pela Nissan, aparentaram ser mais eficientes no consumo de combustíveis.  
 
Dos veículos visados pela falsificação de testes, 157 mil são modelos Mitsubishi, os restantes 468 mil são da Nissan.
 
As investigações conduzidas pelo Governo e o relatório que será fornecido pela empresa vão permitir conhecer a real dimensão destas falsificações, bem como de que forma decorreram as alterações nos testes.  
 
Em menos de um ano, é mais um escândalo no mundo automóvel que ameaça manchar a imagem de todo o sector. Ainda em novembro, era a Volkswagen a estar acusada de uma fraude de proporções ainda maiores. Na altura, a gigante alemã admitiu a implementação de um software em 11 milhões de carros a diesel para alterar os dados dos testes das emissões de cases poluentes. Preço elevado
Um dia depois de rebentar este escândalo, a empresa continua a sentir danos na Bolsa de Tóquio. Na quarta-feira, as quedas chegavam aos 15 por cento. Esta quinta-feira, com a entrada em cena do Executivo nipónico, as perdas ultrapassaram os 20 por cento durante a sessão.  
 
Além dos prejuízos registados em bolsa, também a imagem da marca sai danificada deste caso, quando ainda recuperava de outras falhas no passado.

Ouvidos pela Reuters e pela Bloomberg, vários analistas dizem que este caso é "vergonhoso" e colocam em causa a própria sobrevivência da marca, que ainda recentemente precisou de dois resgates financeiros por parte de outras empresas do grupo Mitsubishi.
 
As dificuldades económicas registadas há pouco mais de uma década começaram a surgir precisamente após um outro escândalo no início dos anos de 2000. Na altura, constataram-se falhas "fatais" nos freios, embreagens e tanques de combustível.

O impacto destas revelações, dizem os entendidos, é ainda incerto. Entre o pagamento de multas ao Governo japonês e de indemnizações aos clientes afetados e o pagamento de compensações à Nissan, o preço será certamente elevado. Akira Kishimoto, da JP Morgan, estima que o prejuízo possa ascender aos 313,8 milhões de euros.

"Não é a primeira vez que a Mitsubishi tem de enfrentar este tipo de problemas. Definitivamente, este caso não os vai ajudar a reconstruir a sua reputação", reiterou Seiji Sugiura, um analista da Tokai Tokyo Research Center, em declarações à Bloomberg.
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