Economia
Jorge Bravo afirma que novos cortes nas pensões quebram contrato de confiança entre trabalhadores e Segurança Social
O especialista em sistema de pensões Jorge Bravo defende que há uma quebra do contrato de confiança entre os trabalhadores e a Segurança Social (SS) se o governo avançar com a convergência das fórmulas de cálculo do setor público com as da SS, com efeitos retroativos.
Foto: Alice Vilaça/Antena1
“Retroativamente aplicar agora medidas significa genericamente quebrar este contrato de confiança que se estabelece entre os trabalhadores e a SS e pode ter consequências muito graves para o futuro, na medida em que os trabalhadores num momento podem decidir que não querem cumprir mais este contrato e a partir desse momento o Estado – porque são as contribuições de hoje que financiam as pensões de hoje – não teria condições para cumprir o pagamento das pensões de todos os sistemas, não apenas do público, mas também do privado”, refere.
O professor da Universidade de Évora recorda que, na entrevista que deu à Antena1 na passada segunda-feira, já tinha dito que “os 750 milhões de euros que estão previstos de poupança em 2014 e 2015 não seriam possíveis de alcançar se a medida a aplicar não tivesse um efeito retroativo sobre as pensões em pagamento”.
“Para mim é claro que, considerando a reposição do subsídio de férias ditada pela declaração de inconstitucionalidade do Tribunal Constitucional, para alcançar aqueles 750 milhões de poupança será necessário um corte transversal entre 8 a 8,5 por cento nas despesas com pensões da Caixa Geral de Aposentações”, explica.
Em declarações ao jornalista Nuno Rodrigues, Jorge Bravo acrescenta que “o número de 10 por cento que é apontado pelos jornais tem a ver com a aplicação de uma medida que seja feita apenas aos pensionistas que se reformaram antes de 2005 – ou seja, antes da entrada em vigor deste mecanismo de convergência gradual das regras da Caixa Geral de Aposentações para o regime geral da Segurança Social”. Estes pensionistas deverão ter uma penalização maior.