Jornal Público anuncia despedimento coletivo de 48 trabalhadores

A Sonaecom, detentora do jornal Público anunciou a “previsível saída de 48 trabalhadores”, de várias secções do jornal, entre os quais 36 jornalistas, como parte de uma “redução da estrutura de custos em cerca de 3,5 milhões de euros por ano, com a diminuição dos custos de financiamento”. Em comunicado o grupo Soane justifica a decisão com o facto “de a imprensa escrita estar desde há anos a atravessar uma mudança estrutural profunda, à escala mundial, que se tem traduzido numa forte tendência de queda de receitas em resultado do efeito de substituição do papel pelo online”.

RTP /

Segundo a agência Lusa, num comunicado enviado a todos os trabalhadores, a administração do Público revela que “entregou à Comissão de Trabalhadores uma comunicação escrita da intenção de proceder ao despedimento coletivo que se estima abranger 48 trabalhadores”.

No documento, divulgado no portal do jornal, “ao sector em Portugal somam-se ainda os severos impactos da crise económica, quer nas receitas de circulação, quer nas receitas de publicidade. O Público, reconhecido como um dos jornais de referência em Portugal e líder em termos de leitura online, com uma presença de destaque nas múltiplas plataformas digitais – web, smartphones e tablets – não está imune a estes desafios”.

“Com o imperativo de assegurar a sustentabilidade, sem comprometer o seu papel como referência independente em Portugal, o Público ira levar a cabo um projeto de reestruturação”, revela o comunicado da Soane que acrescenta que “este plano consistirá no reforço e adequação de competências, onde se inclui a maior orientação para as crescentes exigências do mundo digital, e na redução da estrutura de custos em cerca de 3,5 milhões de euros por ano, com a diminuição de custos de financiamento e previsível saída de 48 trabalhadores”.

“Esperamos com este plano fortalecer a aposta na estratégia do digital, continuando a preservar os valores de qualidade e rigor da marca Público, como consistentemente temos vindo a fazer ao longo dos últimos 22 anos”, remata o comunicado.

Recorde-se que já em finais de 2011, o jornal tentou colocar 21 trabalhadores em lay-off, uma medida que foi rejeitada pelos colaboradores, que no entanto, aceitaram cortes salariais para recompensar o recuo nessa proposta.
Sindicato dos Jornalistas já reagiu
O Sindicato dos Jornalistas (SJ) considera este processo “inaceitável”, apelando “à unidade e à resistência”, referindo que apesar da quebra das vendas da publicação, “a verdade é que o Público é apenas uma das atividades da holding Sonaecom, a qual tem um desempenho coletivo francamente positivo e que permite um evidente suporte do jornal, cuja importância não pode ser escamoteada”.

Num comunicado, enviado às redações, o Sindicato dos Jornalistas afirma que “está a acompanhar o processo, prestando todo o apoio aos seus associados na resistência a um processo inaceitável e iníquo, e vai contribuir ativamente para a discussão dos fundamentos do despedimento-coletivo”.

“Estes dados comprovam que o que está em causa não é a sobrevivência de uma pequena empresa. O que se passa é que a Sonaecom e a Sonae não querem diminuir os seus lucros e não hesitam em sacrificar quase meia centena de trabalhadores, lançando mão de um despedimento coletivo no quadro de uma gravíssima crise económica e social, e rejeitando a função social que as empresas devem assumir especialmente em épocas como esta”, acrescenta o comunicado.

O SJ relembra que “apesar da conjuntura económica e social desfavorável e que se agravou este ano, os lucros da Sonaecom foram 62,5 milhões de euros em 2012, um aumento de 51,7 por cento em relação a 2010; no primeiro semestre de 2012, os lucros cresceram 19,9 por cento para 38,1 milhões de euros, crescimento este que só não foi maior devido, designadamente, a reorientações estratégicas da holding; e ainda ontem foi anunciado um investimento de 222 milhões de euros na rede de quarta geração móvel da empresa”.
Tópicos
PUB