Juncker quer que Lisboa ponha primeiro "a casa em ordem"

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, admitiu hoje que o Governo possa ver-se na contingência de pedir ajuda externa. Mas o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, recomendou ao Governo de José Sócrates que ponha primeiro "a casa em ordem".

RTP /
Jean-Claude Juncker: ajuda externa tem condições DR

Segundo Lacão, citado pela agência Lusa, "mesmo em funções de gestão, o Governo continua firmemente empenhado em evitar o pior para a vida dos portugueses e tudo faz para minorar os efeitos da aventura em que as oposições colocaram o país. Se tiver que agir em matéria de financiamento externo, o Governo agirá patrioticamente como sempre em defesa do interesse nacional". O ministro falava hoje, no último plenário da Assembleia da República antes das eleições.

Ideia idêntica manifestou o líder parlamentar do PS, Francisco Assis, que, referindo-se à eventualidade de um pedido de ajuda externa, afirmou que "situações excecionais exigem respostas excecionais. Se, porventura, em teoria, se colocar uma situação dessa natureza, todos deveremos fazer um esforço de consenso nacional".

Assis ressalvou, contudo, que nem por isso está "em contradição com o primeiro-ministro, porque continuo a pensar que devemos fazer tudo o que for possível para evitar o recurso a uma ajuda externa, porque essa ajuda externa vem associada a um determinado programa que poderia prejudicar a sociedade portuguesa".

Juncker põe condições

Mas pode não ser tão simples nem estar tão entregue ao simples arbítrio do Governo a decisão de solicitar, ou não, o financiamento externo. Isso mesmo se deduz das declarações o também primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, que, segundo citação da Agência France Press, afirmou hoje em discurso ao parlamento do seu país: "O governo luxemburguês sempre insistiu no facto de os Estados que pediram a ajuda terem precisado de fazer previamente todos os esforços possíveis para pôr em ordem a sua própria casa".

E acrescentou: "Isso sucedeu na Grécia, foi o caso na Iralada e está em vias de fazer-se em Portugal, apesar de dificuldades muito grandes".
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