`Junkets` de Macau usados para contornar regras contra fuga de capitais da China - EUA

`Junkets` de Macau usados para contornar regras contra fuga de capitais da China - EUA

O departamento de Estado norte-americano volta a apontar este ano a vulnerabilidade de Macau à lavagem de dinheiro oriundo da China, de onde saem mais capitais que o permitido com a ajuda dos promotores de jogo dos casinos.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"A indústria do jogo depende de promotores de jogo e colaboradores pouco regulados, conhecidos como operadores `junket`", para a angariação de apostadores na China, sendo também "populares entre os casinos", que recorrem a eles para cobrar dívidas, algo que as empresas não podem legalmente fazer na no interior da China, onde o jogo é ilegal, lembra o departamento de Estado norte-americano no seu relatório de 2016 sobre a Estratégia Internacional de Controlo aos Narcóticos.

"O inerente conflito de interesses, juntamente com o anonimato conseguido através do uso de operadores `junket` na transferência e mistura de fundos, bem como a ausência de controlos monetários e cambiais, apresenta vulnerabilidades à lavagem de dinheiro, encoraja a fuga de capitais chineses e fomenta sistemas financeiros clandestinos como `fei-chien` ou `dinheiro voador`", é indicado sobre Macau, que consta do segundo volume do relatório, dedicado à lavagem de dinheiro e crimes financeiros.

O Departamento de Estado norte-americano sugere que Macau melhore a legislação no sentido de controlar o dinheiro que atravessa as fronteiras e aponta que ainda não foi implementado um "sistema transfronteiriço de declaração de dinheiro eficaz".

A China apenas permite que saia do país, anualmente, o equivalente a cerca de 45 mil euros por pessoa. Para contornar estas restrições, "recorre-se por vezes a operadores `junket` em Macau", aponta o relatório, exemplificando que "os jogadores chineses podem depositar dinheiro com os `junkets` na China continental e usar esse dinheiro em Macau ou podem pedir emprestado a um `junket`".

"Se depositarem dinheiro, os jogadores podem usar esses fundos em Macau. Quando acabam de jogar, podem levar os ganhos em dólares norte-americanos ou de Hong Kong e investir em propriedades ou paraísos fiscais. Muito do dinheiro canalizado através de `junkets` tem origem em corrupção, desvio de dinheiro e outras atividades ilícitas", afirma o documento.

No relatório deste ano é mencionada também a presença em Macau de "crime organizado, incluindo tríades", que são "ativas nos serviços de jogo e estão envolvidas com agiotagem, serviços de prostituição", entre outros.

O relatório volta a sugerir uma redução drástica do montante de transações a partir do qual os casinos têm de alertar as autoridades. Atualmente, a indústria do jogo é obrigada a comunicar qualquer transação de montante igual ou superior a 500 mil patacas (56,7 mil euros), mas o Departamento de Estado sugere que esse valor seja fixado em três mil dólares norte-americanos (cerca de 2.700 euros), 20 vezes menos que o aplicado.

 

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