Junta da Portela em Loures reivindica chegada do metro
A União de Freguesias de Moscavide e Portela, no concelho de Loures, defendeu hoje a extensão da rede do Metropolitano de Lisboa àquela zona, na sequência da suspensão do projeto da linha circular.
"Entendemos que a extensão deste meio de transporte é fundamental para a mobilidade de e para a freguesia e insere-se numa visão alargada em que o transporte público surge como primeira escolha dos cidadãos para os seus trajetos diários na Área Metropolitana de Lisboa", refere em comunicado a autarquia do distrito de Lisboa.
Esta posição da União de Freguesias de Moscavide e Portela, presidida pelo socialista Ricardo Lima, surge na sequência da decisão do parlamento de suspender o projeto de construção da linha circular do Metro de Lisboa.
Além da suspensão, foi reconhecido de que deve ser dada prioridade à extensão da rede metropolitana até Loures.
"Entendemos esta proposta como justa, porém a mesma não deve significar o prejuízo da vinda do Metro até à Portela, fator decisivo para o aumento da qualidade de vida na nossa freguesia e para a geração de valor para o território", lê-se na nota.
Relativamente à linha circular, a autarquia considera que "não serve os cidadãos da Área Metropolitana de Lisboa" e que "não traduz uma visão de conjunto para um meio de transporte fundamental à escala regional".
"Incitamos o Governo e a administração do Metro de Lisboa a verem nesta determinação da Assembleia da República uma oportunidade para corrigirem um erro antigo e um estímulo a encontrar as soluções para problemas antigos, mas com cada vez maior atualidade. Essas respostas passam naturalmente por trazer o Metro até à Portela", defende.
A suspensão da linha circular do Metro de Lisboa foi aprovada no parlamento na terça-feira à noite, durante a votação na especialidade do Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), na sequência de propostas do PCP e do PAN.
A proposta do PCP, que defende que seja dada prioridade à extensão da rede metropolitana até Loures, bem como para Alcântara e zona ocidental de Lisboa, foi aprovada com votos a favor do PSD, BE, PCP, CDS, PAN e Chega, a abstenção da Iniciativa Liberal e o voto contra do PS.
Já a do PAN obteve os votos favoráveis do PSD, BE, PCP e Chega, os votos contra do PS e da Iniciativa Liberal e a abstenção do CDS.
O PAN propõe que o Governo realize um estudo técnico e de viabilidade económica que permita uma avaliação comparativa entre a extensão até Alcântara e a linha circular.
O executivo terá ainda de fazer, segundo a proposta, "os estudos técnicos e económicos necessários com vista à sua expansão prioritária para o concelho de Loures" e "uma avaliação global custo-benefício, abrangendo as várias soluções alternativas para a extensão da rede para a zona ocidental de Lisboa".
O relatório que acompanha a proposta de Orçamento do Estado, conhecida em dezembro, referia que as obras de expansão do Metropolitano de Lisboa, orçadas num total de 210 milhões de euros, iriam arrancar no segundo semestre deste ano, quando inicialmente estavam previstas para o primeiro semestre.
O projeto prevê a criação de um anel envolvente da zona central da cidade, com a abertura de duas novas estações: Estrela e Santos.
O objetivo é ligar o Rato ao Cais do Sodré, obtendo-se assim uma linha circular a partir do Campo Grande com as linhas Verde e Amarela, passando as restantes linhas a funcionar como radiais - linha Amarela de Odivelas a Telheiras, linha Azul (Reboleira - Santa Apolónia) e linha Vermelha (S. Sebastião - Aeroporto).
O ministro do Ambiente, José Pedro Matos Fernandes, considerou já "irresponsável" a suspensão do projeto, alertando para a perda de 83 milhões de euros de fundos comunitários.