Junta de Cavernães, Viseu, critica Estradas de Portugal por manter semáforos desligados

Viseu, 30 jan (Lusa) -- O presidente da Junta de Freguesia de Cavernães, Viseu, criticou hoje a Estradas de Portugal por manter desligados uns semáforos de limitação de velocidade na estrada em que, na terça-feira, foi atropelado mortalmente um menino de dez anos.

Lusa /

"Os semáforos já lá estão há quase três anos, só não foram ligados. Cheguei a questionar se seria preciso morrer ali alguém para que interviessem", disse à agência Lusa Jorge Martins.

O menino foi atropelado na terça-feira à tarde por um ligeiro de mercadorias, numa reta da Estrada Nacional (EN) 229, que liga Viseu ao Sátão, quando atravessava esta via para ir para casa, depois de ter saído do autocarro escolar.

Jorge Martins contou que, nos últimos anos, trocou correspondência com responsáveis da Estradas de Portugal (EP) a alertar para os problemas deste troço da EN229, quer sobre o facto de os semáforos não estarem ligados, quer sobre a inexistência de passadeiras.

"A povoação tem casas de um lado e do outro da estrada. As pessoas precisam de a atravessar para fazer a sua vida", justificou.

Na sua opinião, "se os semáforos de limitação de velocidade estivessem ligados, pelo menos as pessoas poderiam aproveitar os momentos em que o trânsito estivesse parado para atravessar a estrada".

A Lusa contactou a EP, mas não conseguiu obter uma resposta em tempo útil.

Os alertas do presidente da Junta de Freguesia de Cavernães começaram ainda na fase final das obras de requalificação da EN 229, como pode ler-se num ofício datado de 14 de julho de 2010 a que a Lusa teve acesso.

"No primeiro cruzamento para a povoação de Cavernães, sentido Viseu -- Sátão, estão a ser implantados semáforos. Constatámos que no local não existe passadeira para peões, nem os semáforos contemplam informação para os mesmos", referia.

Como a povoação se divide pelos dois lados da EN 229, o autarca avisava que era "imperioso acautelar o atravessamento" e mostrava-se convencido de que, "só por lapso, esta situação não foi prevista" e que seria resolvida a curto prazo.

Segundo Jorge Martins, chegou a ser dada a indicação de que a falta de passadeira em Cavernães (que não estava prevista no projeto de beneficiação) e a adaptação do sistema semafórico seria estudada pelo Departamento de Segurança Rodoviária da EP, mas nada se concretizou no terreno.

"Penso mesmo que estejam a ponderar não ligar estes semáforos e até desligar outros", lamentou.

Este assunto tem sido abordado com frequência nas reuniões mensais que a Câmara de Viseu tem com os presidentes das Juntas de Freguesia, como a que aconteceu há uma semana.

Após mais uma queixa, o presidente da Câmara de Viseu, Fernando Ruas, considerou que "o investimento maior já se fez, que foi o equipamento fixo", e que "não se compreende que o semáforo esteja lá e não esteja ligado apenas por descuido".

Na sua opinião, "nem é uma questão de poupança de recursos, porque se esbanjam recursos noutro lado", como no nó de Faíl do IP3, cuja iluminação está ligada "a partir das duas da tarde, com muito mais quantidade de eletricidade do que a que se gastará nos semáforos".

A EN229 é muito usada por pessoas dos concelhos do Sátão, Vila Nova de Paiva, Tarouca, Sernancelhe, Moimenta da Beira, Penedono, Tabuaço e S. João da Pesqueira, no distrito de Viseu, e Aguiar da Beira e Trancoso, no distrito da Guarda, quer nas deslocações para a cidade de Viseu, quer como acesso às autoestradas A24 e A25.

Tópicos
PUB