Justiça Intergeracional. Necessário discutir a falta de sustentabilidade das contas públicas

por Antena 1

É uma questão de justiça, entre gerações. Um estudo promovido pela Fundação Gulbenkian avisa que, se nada for feito agora para equilibrar as finanças públicas, os portugueses do futuro não vão ter acesso aos mesmos benefícios da Segurança Social do que a atual população. O relatório revela que, nos dias de hoje, quem trabalha já paga mais impostos do que há 10 ou 20 anos e, daqui para a frente, com a evolução demográfica e o envelhecimento da população, o sistema vai tornar-se insustentável. É o que adianta o responsável pelo projeto, Luís Lobo Xavier.

Este responsável da Fundação Gulbenkian, diz que é altura de discutir o problema da falta de sustentabilidade do atual modelo, para evitar que as próximas gerações tenham de pagar cada vez mais impostos, ou que sejam obrigadas a receber menos benefícios sociais.

A Fundação Gulbenkian desafiou várias universidades portuguesas para tentar encontrar soluções para estes desequilíbrios nas contas públicas que derivam do envelhecimento da população.

A aposta em políticas de natalidade é uma das possibilidades.

Quanto à chegada a Portugal de população estrangeira em idade activa, Luís Lobo Xavier revela que a imigração só iria adiar temporariamente este desafio.

O responsável pelo projeto da Fundação Gulbenkian dedicado à Justiça Intergeracional diz que é preciso fazer escolhas políticas, algumas delas impopulares no presente, para salvar o futuro.

É o que demonstram as conclusões deste estudo que mediu os benefícios sociais atribuídos à população, em função dos descontos feitos por quem está em idade activa, olhando também para a taxa de natalidade e para o peso cada vez maior que irá fazer-se sentir na Segurança Social, com o envelhecimento dos portugueses, graças ao aumento da esperança média de vida.
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