Kallas acredita em compromisso sobre orçamento da UE ainda este ano

Kallas acredita em compromisso sobre orçamento da UE ainda este ano

A chefe da diplomacia europeia mostrou-se hoje convicta de que os 27 Estados-membros da UE vão alcançar um compromisso sobre o próximo orçamento comunitário ainda este ano, enquanto o ministro dos Negócios Estrangeiros português colocou a defesa como prioridade.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"As discussões sobre o quadro financeiro plurianual estão a decorrer e há opiniões muito diferentes. E essa é a beleza da União Europeia (UE), na verdade", considerou Kaja Kallas, numa conferência de imprensa no Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa, a propósito das diferentes posições dos chamados países frugais e dos amigos da coesão - como Portugal - sobre o orçamento da UE para 2028-2034.

A alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança disse ter "a certeza" de que o presidente do Conselho Europeu, António Costa, conseguirá "alcançar a um compromisso".

"E é sempre um compromisso, e isso não é fácil. E presumo que teremos longas noites pela frente durante o Conselho Europeu de dezembro", referiu, antes de comentar: "É um compromisso em que os interesses de todos são tidos em conta e, normalmente, ninguém fica totalmente satisfeito, certo?".

Kallas disse concordar com o apelo de António Costa para obter um acordo antes do final deste ano, tendo em conta que vários países europeus - como França e Itália - terão eleições em 2027.

No mesmo sentido, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, confirmou que os Estados-membros estão "muito comprometidos em tentar alcançar um acordo antes do final do ano".

O debate sobre o próximo orçamento tem sido marcado nomeadamente pela diferença entre os chamados países frugais (como Alemanha), que defendem cortes, e os amigos da coesão (países do sul e leste europeu, incluindo Portugal e Espanha), que querem preservar os envelopes nacionais e as verbas da política de coesão e da Política Agrícola Comum (PAC).

Rangel defendeu que a posição de Portugal é compatível com o investimento em defesa e segurança, que, sustentou, "têm de ser um objetivo decisivo da Europa".

O chefe da diplomacia portuguesa deixou um aviso: "Temos mesmo de cuidar da nossa própria defesa. Caso contrário, as próximas gerações não vão perdoar-nos por não termos tratado desta dimensão tão importante".

"É muito bom ter prosperidade. É muito bom ter coesão social. Tudo isso é muito importante, mas precisamos de existir. Também é muito bom ter boas contas, mas se tens um superavit fantástico e fores invadido, isso não vale de nada", sublinhou.

Para Rangel, os Estados-membros "têm mesmo de combinar os diferentes objetivos de forma bastante razoável, mas não esquecer que a defesa e a segurança hoje são uma prioridade, infelizmente".
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