Kevin Warsh admite que reunião da Fed foi verdadeira "disputa familiar"

Kevin Warsh admite que reunião da Fed foi verdadeira "disputa familiar"

O presidente da Reserva Federal americana (Fed) admitiu hoje que a reunião do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC), que decidiu manter as taxas de juro no intervalo entre 3,50% e 3,75%, foi uma verdadeira "disputa familiar".

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Evelyn Hockstein - Reuters

A decisão do Comité não foi unânime, com três membros a votar contra e nove a favor, preferindo um aumento dos juros, mas Kevin Warsh enquadrou as discussões de forma positiva, apontando uma discussão "ativa e robusta".

Questionado repetidamente sobre as razões do desacordo, o líder da Fed não deu muitos detalhes, indicando que considera que esta é a "melhor equipa" para decidir o rumo da política monetária.

"A economia está a mostrar resiliência impressionante, mesmo com os choques recentes", disse ainda.

Warsh reiterou que o objetivo do Comité é que a inflação atinja os 2%, a meta da Fed, apontando que não haverá flexibilidade neste ponto, mas não confirmou um aumento das taxas de juro numa próxima reunião. 

"Estamos a tentar perceber as dinâmicas da inflação", disse, lembrando que os preços se mantêm elevados há cinco anos, mas sem apontar medidas concretas para atingir essa meta. 

O presidente da Fed voltou a realçar que a entidade não vai fazer projeções para o futuro como anteriormente, indicando que espera que o mercado reaja em tempo real, "sem filtros" e com menos constrangimentos, devido a estas projeções.

A Fed decidiu manter as taxas de juro no intervalo entre 3,50% e 3,75%, após uma reunião de dois dias, a segunda de Kevin Warsh à frente da instituição, anunciou, num comunicado. 

A decisão não foi unânime, com três membros do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) a terem votado contra, preferindo uma subida de 0,25 pontos percentuais. 

"O Comité decidiu manter o intervalo-alvo para a taxa dos fundos federais entre 3,5 e 3,75%, em apoio ao duplo mandato da Reserva Federal", destacou, na mesma nota.

Segundo o comunicado, "a atividade económica está a expandir-se a um ritmo sólido, apesar da elevada incerteza que se deve, em parte, ao conflito no Médio Oriente", com a Fed a apontar "o crescimento da produtividade e o investimento de capital" como estando "fortes".

Já o aumento do emprego "tem acompanhado o crescimento da população ativa, e a taxa de desemprego tem-se mantido praticamente inalterada".

Por outro lado, "a inflação permanece elevada em relação à meta de 2% do Comité, refletindo, em parte, choques de oferta que impulsionaram aumentos de preços em determinados setores, incluindo o da energia".

A Fed reiterou que o "Comité irá garantir a estabilidade dos preços".

No comunicado, a instituição disse que "votaram contra a medida de política monetária Beth M. Hammack, Neel Kashkari e Lorie K. Logan" que preferiam aumentar em 0,25 pontos percentuais as taxas de juro. 

A inflação tem-se mantido acima da meta de 2% do banco central há mais de cinco anos. A guerra no Irão gerou incerteza quanto às perspetivas económicas e impulsionou a subida dos preços da energia, intensificando a pressão inflacionista e colocando os decisores da Reserva Federal perante um dilema.

Hammack, Kashkari e Logan já tinham anteriormente apelado ou dado a entender que estariam dispostos a aumentar as taxas de juro para combater os preços elevados, de acordo com a agência Associated Press.

 

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