Labesfal será grande pólo de investigação após venda à alemã Fresenius

O presidente cessante da farmacêutica Labesfal, Joaquim Coimbra, está convencido que a venda da empresa à alemã Fresenius Kabi irá torná-la num "grande pólo" ao nível da investigação, desenvolvimento e produção de medicamentos para todo o mundo.

Agência LUSA /

A compra da Labesfal, sedeada em Campo de Besteiros, concelho de Tondela (Viseu), foi anunciada na sexta-feira passada pela Fresenius Kabi, líder no desenvolvimento, produção e distribuição de medicamentos para terapêutica intravenosa, que emprega 11.400 pessoas em mais de 30 países.

Apesar de se estar a desfazer de uma empresa da sua família - que teve origem há mais de 50 anos no laboratório de uma farmácia fundado por João Almiro, seu sogro - Joaquim Coimbra considera que accionistas, trabalhadores e a própria região irão beneficiar com o negócio.

"Deixei tudo garantido para que a fábrica possa, de Portugal, do Campo de Besteiros, ser um grande pólo ao nível da investigação, desenvolvimento e produção de medicamentos para todo o mundo", garantiu.

Joaquim Coimbra avançou que a empresa alemã pretende introduzir novas tecnologias no Campo de Besteiros e "duplicar as instalações brevemente, já durante 2005 e 2006, na perspectiva de poder exportar para toda a Europa e eventualmente para outros países do mundo" medicamentos que ai produzirá.

"Vai acrescentar mão-de-obra. Vamos ter aqui na região mais técnicos, mais quadros, porque é aqui que vai ser montado o centro de desenvolvimento e investigação dessa companhia mundial", frisou.

Os actuais cerca de 320 trabalhadores irão manter-se "todos, sem excepção", e serão recebidos outros, qualificados. Também a marca Labesfal irá manter-se, assegurou.

Joaquim Coimbra contou que, como a Labesfal "passou a ser uma empresa apetecível de há uns anos a esta parte", surgiram "várias hipóteses" de venda, mas a da empresa alemã foi a que considerou ser mais benéfica para todos.

"A indústria farmacêutica está sempre em evolução, com a globalização corre os riscos normais de qualquer empresa e este foi o momento que achei oportuno para esses pressupostos serem atingidos", referiu, ao justificar o negócio, cujo valor se escusou a revelar.

"Não confirmo números, só posso dizer que foi um negócio interessante para toda a gente", disse apenas.

Em 2004, a empresa conseguiu vendas de 56 milhões de euros, um valor que este ano deverá crescer 20 por cento, para perto dos 67,1 milhões de euros.

No entanto, o empresário considera que as percentagens de crescimento que a empresa vem registando nos últimos anos "dificilmente se conseguiriam manter".

Nos últimos cinco anos, foram investidos na Labesfal, nomeadamente em novas instalações e unidades de produção, 50 milhões de euros.

Joaquim Coimbra deixará de ter funções executivas na Labesfal, ficando como presidente do conselho consultivo, juntamente com o presidente mundial do grupo.

O empresário passará a dedicar-se ao grupo Jaba, produtor e comercializador de medicamentos, que comprou na passada quarta-feira à "holding" da família Batista de Almeida, e que admite ter "mais prestígio" do que a Labesfal, porque tem "uma filosofia de abordagem de mercado diferente".

Com uma fábrica na Abrunheira, Sintra, a Jaba emprega 270 pessoas e facturou perto de 40 milhões de euros no ano passado.

Adiantou que é seu propósito instalar a sede da Jaba em Tondela, frisando é, "acima de tudo, um viseense e tondelense" esforçado por captar investimentos para a sua região.

Joaquim Coimbra referiu que manterá também as participações em fábricas e empresas farmacêuticas sedeadas em Espanha, Cabo Verde, Moçambique, Argentina e Brasil.

AMF Lusa/Fim


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