Lagarde vê na IA potencial para reduzir pressões inflacionistas a longo prazo

Lagarde vê na IA potencial para reduzir pressões inflacionistas a longo prazo

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, considerou hoje que a inteligência artificial (IA) "poderá contribuir" para reduzir as pressões inflacionistas a longo prazo através do aumento da produtividade e da redução dos custos de produção.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Annegret Hilse - Reuters

"A IA tem potencial para ajudar as empresas a produzir mais e, ao longo do tempo, uma maior produtividade poderá reduzir os custos", afirmou Christine Lagarde, num discurso perante a Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, em Bruxelas.

"Mantendo-se tudo o resto constante, isto deverá reduzir as pressões inflacionistas no longo prazo", acrescentou a responsável.

Depois de ter atingido níveis recorde após a crise energética, a taxa de inflação na zona euro aproximou-se nos últimos meses do objetivo de 2% do BCE para estabilidade de preços.

Contudo, voltou a acelerar recentemente, atingindo 3,2% em agosto, face a 2,9% em julho, devido sobretudo ao aumento dos preços da energia.

Segundo as projeções do BCE divulgadas neste mês de setembro, a inflação deverá situar-se, em média, em 3,0% este ano, 2,5% em 2027 e 2,1% em 2028, permanecendo acima do objetivo de 2% no horizonte das previsões.

Ainda este mês, o BCE aumentou as suas três principais taxas de juro em 25 pontos base, numa altura em que procura evitar que o atual choque energético se alastre a outras componentes da inflação.

"Não reagimos aos preços da energia, reagimos se virmos riscos de que preços de energia mais elevados se tornem incorporados na inflação", explicou Christine Lagarde.

A presidente do BCE salientou que, até ao momento, não existem sinais de que o choque energético esteja a provocar aumentos significativos dos salários.

Ainda no que toca à IA, Lagarde destacou que os efeitos sobre a economia permanecem incertos e dependerão do grau de adoção da tecnologia pelas empresas: "A IA é uma força transformadora. Pode reformular os processos de produção, os modelos de negócio e as estruturas de toda a economia".

Um inquérito recente do BCE mostra que 38% das empresas da área da moeda única já utilizavam IA de forma pelo menos moderada no final de 2025, embora apenas 7% declarassem uma utilização significativa.

A tecnologia deverá também alterar o mercado de trabalho, já que mais de 50% dos trabalhadores já utilizam IA nas suas funções, ainda de acordo com dados citados pela presidente do BCE.

"A questão central é saber se, a mais longo prazo e para a economia como um todo, a IA irá sobretudo complementar os trabalhadores ou substituí-los", adiantou.


 

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