Linha da Beira Baixa reabre a 20 de setembro após investimento de 3,4 ME

Linha da Beira Baixa reabre a 20 de setembro após investimento de 3,4 ME

A circulação na Linha da Beira Baixa será retomada em 20 de setembro, com a reabertura do troço entre Mouriscas-A e Ródão, danificado pela tempestade Kristin, após investimento de 3,4 milhões de euros, anunciou hoje a Infraestruturas de Portugal.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
João Marques - RTP

A reabertura do troço permitirá à CP - Comboios de Portugal repor os serviços Regionais e Intercidades em toda a extensão da Linha da Beira Baixa e aos operadores de mercadorias retomar a circulação nesta ligação ferroviária, indicou a Infraestruturas de Portugal (IP).

Em comunicado, a IP adiantou que dois deslizamentos de terras, entre os quilómetros 39,150 e 39,270, obrigaram a trabalhos de estabilização dos taludes, reforço da plataforma ferroviária, melhoria da drenagem e reposição integral da via e dos sistemas afetados.

A intervenção incluiu a aplicação de cerca de 5.500 metros cúbicos de enrocamento e a construção de duas estruturas em betão armado fundadas em microestacas, além de uma viga de coroamento intermédia.

Foram ainda reabilitadas e melhoradas as passagens hidráulicas e repostas as telecomunicações, os sistemas de terras e as restantes infraestruturas ferroviárias afetadas.

Segundo a IP, os trabalhos permitiram reforçar as condições de segurança da infraestrutura, através do reforço estrutural da plataforma com fundações profundas, da melhoria da drenagem e da instalação de instrumentação geotécnica para monitorização da plataforma e das estruturas.

A empreitada decorreu em condições "particularmente exigentes", segundo a IP, devido ao acesso limitado ao local, à instabilidade da plataforma, ao espaço reduzido para movimentação de equipamentos e às dificuldades no transporte de materiais, agravadas pelas temperaturas elevadas durante os trabalhos.

"Esta reabertura representa muito mais do que a conclusão de uma obra. Representa o regresso de uma ligação ferroviária essencial para as populações, depois da interrupção provocada pelas intempéries", afirmou o presidente da IP, Paulo Carmona, citado no comunicado.

O responsável salientou que a prioridade foi recuperar a infraestrutura "com segurança" e "o mais rapidamente possível", numa intervenção que permitiu "não só repor a circulação como reforçar a infraestrutura e melhorar as suas condições de segurança e resiliência".

Também o presidente da CP, Pedro Moreira, destacou que a reposição da circulação "permite voltar a assegurar um serviço ferroviário essencial para a mobilidade das populações e para a ligação entre territórios".

A Linha da Beira Baixa, com cerca de 240 quilómetros, liga o Entroncamento à Guarda, passando por Abrantes, Castelo Branco e Covilhã.

Na sequência dos danos provocados pelas intempéries do início do ano, a circulação ficou parcialmente suspensa, tendo sido implementado transporte rodoviário de substituição nos troços afetados.

Desde 16 de março, e enquanto decorrem as intervenções, é assegurado serviço rodoviário de substituição aos Intercidades entre Abrantes e a Guarda e aos Regionais entre Mouriscas-A e Vila Velha de Ródão, segundo informação disponibilizada pela CP.

Os comboios Regionais têm circulado entre o Entroncamento e Mouriscas-A e entre Vila Velha de Ródão e Castelo Branco, enquanto os Intercidades circulam entre Lisboa-Santa Apolónia e Abrantes.

Em 27 de julho, o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, tinha avançado à Lusa que a Linha da Beira Baixa deveria reabrir em setembro ou outubro, "um bocadinho antes" do inicialmente previsto.

A reabertura anunciada para 20 de setembro permite ainda reforçar a capacidade da rede ferroviária nacional e recuperar a redundância com a Linha da Beira Alta para o transporte ferroviário internacional de mercadorias, segundo a IP.

Portugal foi atingido no início do ano por uma sucessão de tempestades, que provocaram vítimas, desalojados e elevados prejuízos, além de danos em várias infraestruturas rodoviárias e ferroviárias.

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