Linha do Norte é Estrada Nacional 1 dos caminhos-de-ferro
A secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, comparou a linha do Norte à Estrada Nacional 1, ilustrando assim a necessidade de uma nova via ferroviária de alta velocidade entre o Porto e Lisboa.
"A Linha do Norte, em termos ferroviários, é exactamente a mesma coisa que a Estrada Nacional 1 é para a rede de estradas. Poderíamos estar aqui a investir indefinidamente na EN1 e ela não passaria de uma estrada nacional em que todos os tráfegos misturados fariam com que não tivesse qualquer espécie de qualidade de serviço", disse aos jornalistas Ana Paula Vitorino.
Presente em Pereira do Campo, onde inaugurou uma nova passagem rodoviária sobre a linha do Norte, a secretária de Estado defendeu a "auto-estrada do caminho-de-ferro", uma nova linha de alta velocidade com "ligações à rede convencional".
"Isto para que a linha do Norte possa ser um serviço efectivo e de qualidade para o transporte de mercadorias, que se possa finalmente retomar um bom serviço de transporte ferroviário regional e, onde se justifique, também suburbano", sublinhou.
Ana Paula Vitorino argumentou ainda que a linha do Norte "está neste momento com níveis de congestionamento acima do que seria razoável", frisando que o congestionamento atinge mais de 70 por cento daquela via.
Alegou que o tráfego ferroviário existente na ligação Lisboa/Porto "obriga a um esforço de manutenção muito elevado".
"Cada vez que é que aumenta um comboio, uma frequência da ligação entre Lisboa e Porto todo o resto do país é prejudicado porque têm de ser eliminados alguns regionais.
Por isso é preciso fazer uma outra linha", defendeu, aludindo à ligação por TGV entre as duas principais cidades do país.
Disse ainda que a CP tem vindo "sistematicamente" a recusar serviços de transporte de mercadorias na linha do Norte "porque não tem capacidade".
"Durante o dia é impossível porque há comboios de passageiros. Durante a noite cada vez existe menos espaço porque como a linha está a ser utilizada no limite da sua capacidade, as horas de manutenção necessárias são cada vez maiores", sustentou.
Admitiu, por outro lado, que a nova linha de TGV vai ter uma ligação ao futuro aeroporto de Lisboa "seja ele localizado na Ota ou em Alcochete".
"Não quer dizer que a linha passe por lá. Pode ter, por exemplo, uma ligação em `shuttle` como é comum na maior parte dos países da União Europeia", explicou.
Quanto aos trajectos da rede de alta velocidade, classificou como prioritárias as ligações Vigo/Porto, Porto/Lisboa e Lisboa/Madrid, garantindo que esses três eixos "vão ser feitos".