Lisboa, Cascais e Oeiras "disputam" edifício para seis mil trabalhadores

Lisboa, 24 Fev (Lusa) - As câmaras de Lisboa, Cascais e Oeiras estão a "disputar" a localização do futuro edifício da PT, que irá congregar entre 5 e 6 mil trabalhadores do grupo, num projecto conhecido por "Cidade PT", mas a operadora ainda não decidiu.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Em declarações à Lusa, o vereador do Urbanismo da Câmara de Lisboa, Manuel Salgado, afirmou que "a autarquia tem todo o interesse em manter a PT em Lisboa e fará tudo ao seu alcance para isso".

"É a maior empresa nacional e é evidente que é importante para Lisboa", salientou o vereador, admitindo que "tem havido contactos" entre as duas partes.

O presidente da Câmara de Cascais, António Capucho, revelou à Lusa que a autarquia também foi "sondada" pela PT e tem todo "o interesse em analisar essa iniciativa", tendo até já agendada uma reunião com os responsáveis da empresa, em data que não quis divulgar.

A PT está a estudar "quatro ou cinco localizações possíveis", afirmou à Lusa fonte do grupo, garantindo apenas que "ainda não foi tomada qualquer decisão" sobre a localização do novo edifício, que vai reunir entre 5 e 6 mil trabalhadores da TMN, da PT Pró e da PT Contact num espaço de 65 mil metros quadrados, e que deverá estar operacional dentro de três anos, em 2011.

O objectivo da maior operadora de telecomunicações portuguesa é reduzir de 16 para quatro as localizações onde a Portugal Telecom (PT) desenvolve a sua actividade em Lisboa e obter poupanças significativas em termos de custos de manutenção dos imóveis e rendas a terceiros.

Questionado pela Lusa sobre a eventual escolha de Oeiras para a localização da `cidade PT`, onde a empresa detém já um edifício no Tagus Park, Isaltino Morais escusou-se a dar qualquer informação, afirmando apenas que só "fala das empresas e escritórios já instalados" com "documentos assinados".

A 7 de Fevereiro, dia em que a autarquia assinou a escritura da Agência para a Internacionalização, Promoção e Desenvolvimento Empresarial e das Tecnologias de Oeiras (AITEC - Oeiras), o presidente da nova entidade, Luís Todo Bom chegou a admitir à Lusa que a PT era uma da 20 empresas que o organismo gostaria de levar para o que chamou "Oeiras Valley".

A Lusa questionou também as câmaras da Amadora, Loures e Alcochete, mas estas três autarquias parecem estar fora dos planos da PT.

O vereador das Obras Municipais e Trânsito e Toponímia da Amadora, Gabriel Oliveira, garantiu à Lusa desconhecer o projecto, admitindo que, "à primeira vista", o concelho teria "todo o interesse" em acolher um investimento do género.

Fonte da Câmara Municipal de Loures afirmou também desconhecer as intenções da operadora, escusando-se a comentar o que qualifica como "pura especulação". De Alcochete a resposta foi semelhante.

Além do novo edifício, com o qual espera conseguir importantes ganhos de produtividade, os serviços da PT irão manter-se no Fórum Picoas, na avenida Fontes Pereira de Melo, onde se encontra a administração da operadora.

As instalações da rua Andrade Corvo e da avenida Afonso Costa também são para manter.

Esta operação integra-se num processo de desinvestimento imobiliário a três anos, iniciado em 2007 e que tem a ambição de arrecadar cerca de 100 milhões de euros até 2009.

O património imobiliário do grupo ultrapassa os 1.200 edifícios, espalhados por várias cidades do país, apesar de a larga maioria estar concentrada nas zonas de Lisboa e do Porto.

Este conjunto de edifícios e terrenos tem um valor contabilístico de mais de 200 milhões de euros, mas o valor de mercado é superior.

PUB