Economia
Conversa Capital
Lisboa e Porto já não são os motores da valorização dos preços das casas
Ricardo Guimarães, economista e diretor da Confidencial Imobiliário, justifica assim o facto de os preços das casas, segundo o INE, continuarem a aumentar apesar das vendas estarem a cair.
Apesar do aumento rápido dos juros ter alterado a forma do mercado trabalhar, o economista não acredita que essa situação venha a produzir impactos negativos no mercado porque o nível de endividamento é menor do que no passado. Portugal, adianta, não vive uma bolha imobiliária e não tem, por essa razão, um risco de desvalorização. No seu entender só uma crise no emprego poderia ter impacto.
Já quanto às medidas anunciadas pelo governo, Ricardo Guimarães considera que são positivas, nomeadamente o apoio às rendas e as bonificações nos juros de crédito, mas não acredita que o número de abrangidos seja significativo. Por outro lado, acrescenta Ricardo Guimarães, as medidas não são dirigidas a quem está fora do mercado, nomeadamente os jovens.
Pacote Mais Habitação vai produzir os efeitos contrários aos desejados
Ricardo Guimarães é contra o travão ao aumento de rendas porque, segundo afirma, impede que quem está fora do mercado de arrendamento consiga efetivamente arrendar uma casa. O economista considera que o Pacote Mais Habitação vai produzir os efeitos contrários aos desejados e lembra que o que é preciso é aumentar a oferta, nomeadamente com o incentivo do investimento privado e a redução da carga fiscal não só do IVA da construção, mas também com uma revisão das tabelas do IMI e do IMT para os jovens.
De resto, Ricardo Guimarães considera que não é possível até 2026 que o governo coloque no mercado, com verbas do Plano de Recuperação e Resiliência, 26 mil casas como está previsto devido ao aumento dos custos de construção.
Entrevista conduzida por Rosário Lira (Antena1) e Vítor Rodrigues Oliveira (Jornal de Negócios).