Lisbon Brokers rejeita insinuações de `insider trading` na OPA sobre BPI
A Lisbon Brokers rejeitou estar envolvida no alegado caso de abuso de informação privilegiada na OPA sobre o BPI, referindo não entender as desconfianças acerca do `research` sobre banca elaborado dias antes do lançamento da oferta.
Em comunicado, a corretora diz que, "até à data, continua sem qualquer informação oficial sobre este processo e lamenta profundamente que, entretanto, o nome de um dos seus clientes tenha sido publicamente apontado pela comunicação social nos termos desprestigiantes em que o foi".
Em causa esta uma notícia divulgada na última edição do semanário Expresso, na qual é referido que a Procuradoria-geral da República está a investigar o empresário Patrick Monteiro de Barros por suspeitas de informação privilegiada na compra de acções do BPI e BCP, antes da Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pelo segundo banco sobre o primeiro.
O jornal refere, ainda, que o processo de investigação, enviado à Procuradoria-geral da República (PGR) pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), envolve a corretora Lisbon Brokers e três dos seus clientes, um dos quais o empresário Monteiro de Barros, que terá feito mais-valias de 1 milhão de euros com a compra de acções.
"São [...] totalmente infundadas quaisquer insinuações de `inside trading`, já que o nosso research foi elaborado, exclusivamente, com base em informação pública e seguindo um modelo de avaliação objectivo", refere a corretora na nota.
Em causa está um research sectorial sobre os bancos portugueses publicado pela Lisbon Brokers a 9 de Março de 2006, onde a corretora subiu a recomendação sobre o sector de "neutral" para "overweigth", passando a recomendação do BCP de "manter" para "comprar" (com revisão do price target de 2,60 para 2,80) e a do BPI de "compra" para "forte compra`.
A Lisbon Brokers refere que o research, publicado a poucos dias do lançamento da OPA, foi feito naquela data "pelo facto de a Caixa Geral de Depósitos ter publicado resultados na véspera" e que, como tal "pareceu ao departamento de research da Lisbon Brokers ser esse o momento adequado para reavaliar as suas recomendações sobre a banca, à luz desses novos dados".
Além disso, acrescenta a corretora, "semanas antes, já dois prestigiados bancos de investimento internacionais tinham revisto em alta o price target das acções BPI", referindo-se ao ING Bank e à UBS.
"Em síntese, é fácil concluir que o estudo efectuado pela Lisbon Brokers foi oportuno e não entendemos as desconfianças relativamente à sua oportunidade", afirma.
No comunicado, a corretora diz ainda que "desconhecia em absoluto qualquer movimentação ou preparação relativa à OPA sobre o BPI, tendo dela tomado conhecimento apenas na tarde de segunda-feira, dia 13 de Março, quando o BCP divulgou o anúncio preliminar da OPA, isto é cinco dias após a publicação do seu research sectorial dos bancos cotados.
A Lisbon Brokers acrescenta, no que toca à forte subida dos dias 10 e 13 de Março, que "no dia 10 de Março de 2006, às 7:49, o conselho de administração do BPI anunciou publicamente a intenção de elevar os limites de voto de 12,5 por cento para 17,5 por cento, o que foi entendido pelo mercado e pelos jornalistas, à data, como uma redução da blindagem".
A corretora afirma não ter "qualquer dúvida de que actuou em todo o momento de forma diligente e não susceptível de qualquer censura".