Localização em Alcochete terá vantagens para o Turismo no Algarve, defendem hoteleiros da região
Faro, 11 Jan (Lusa) - A principal associação hoteleira do Algarve manifestou-se hoje satisfeita com a decisão do Governo em apontar Alcochete como local do novo aeroporto de Lisboa, por considerar que o turismo algarvio pode tirar vantagens dessa localização.
"Congratulamo-nos com a decisão do Governo e lembramos que já desde 1999 defendemos a opção da margem sul, na altura Rio Frio, por razões técnicas mas também turísticas", disse à Lusa o presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas.
Invocando que a maior parte do tráfego aéreo mundial é turístico, o dirigente empresarial recordou que a maior parte do sector se encontra localizado na margem sul e não na margem norte do Tejo.
"Na zona da Ota, o único local com interesse turístico é Fátima, que mesmo assim um interesse infimamente mais pequeno do que o Algarve", enunciou.
Também do ponto de vista da distância entre a cidade e o aeroporto, Alcochete é preferível à Ota, disse, já que os 80 quilómetros de distância poderiam desmotivar uma parte dos turistas que tem Portugal - e também o Algarve - como destino.
Sobre a incidência da nova infra-estrutura na região, sustentou que, nos dias de hoje, os aeroportos têm uma área de influência de 200 a 250 quilómetros.
Por outro lado, defendeu, longe de ser concorrencial relativamente ao aeroporto de Faro, nova estrutura será complementar, uma vez que facilitará as ligações da região com outros continentes.
"O problema do aeroporto de Faro são os voos intercontinentais, porque Faro tem uma pista onde os maiores aviões podem aterrar mas não podem descolar", explicou.
Refutou que o novo aeroporto de Lisboa possa retirar importância ao de Faro, "que tem um papel insubstituível como aeroporto regional".
"Os únicos voos que poderão ficar a perder são os que se fazem entre Faro e Lisboa, dada a curta distância a que ficam, mas já hoje é um absurdo viajar de avião entre as duas cidades, a não ser para apanhar voos de ligação", disse.
A estrutura a construir na margem sul facilitará também a ligação ferroviária por alta velocidade com Espanha, através de Badajoz, recordou.
"A Ota era um aeroporto encafuado, que teria custos elevadíssimos, sobretudo em infra-estruturas, e nem sequer poderia crescer", concluiu o líder da AHETA.
JMP.