Lucro do BES sobe 15,1% para 173,5 milhões de euros
O resultado líquido do Banco Espírito Santo (BES) subiu 15,1 por cento nos primeiros nove meses deste ano face ao período homólogo, para 173,5 milhões de euros, ficando abaixo das expectativas, divulgou hoje a instituição.
A média das previsões dos analistas contactados pela Lusa apontava para uma subida de cerca de 20 por cento no lucro entre Janeiro e Setembro, para 189,2 milhões de euros.
A margem financeira caiu 2,9 por cento no mesmo período, para 517,5 milhões de euros, o que compara com uma estimativa dos analistas de 530 milhões de euros, refere o banco em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
As comissões voltaram a crescer significativamente (mais 18,5 por cento), "em resultado do posicionamento do grupo BES como prestador global de serviços financeiros".
O banco sublinha que estes resultados "não são directamente comparáveis" com os do período homólogo, devido à alienação, em Junho de 2003, da participação no capital da Crédibom ao Banque Sofinco, a qual "implicou que as demonstrações financeiras do Grupo BES durante o exercício de 2004 deixassem de incluir aquela entidade no seu perímetro de consolidação".
A instituição liderada por Ricardo Salgado destaca que o resultado alcançado até este momento proporciona uma rendibilidade dos capitais próprios (ROE) de 11,7 por cento, "o que traduz uma performance significativa atendendo à grande intensidade concorrencial".
Os custos subiram 6,7 por cento, para 558,5 milhões de euros, evolução que o banco explica com a evolução dos custos de pessoal (devido à actualização dos salários), mas também com o reforço de competências em segmentos de actividade específicos, nomeadamente a banca de investimento e o BES 360º.
Apesar do comportamento dos custos, que se traduziu na degradação do +cost-to-income+ (indicador de eficiência) de 60,1, para 60,8 por cento, o banco reiterou (dado o carácter não recorrente dos custos), o objectivo de que o indicador atinja 53 por cento no final do ano.
As provisões para riscos de crédito registaram um "reforço significativo" de 204 milhões de euros (em alta de 22 por cento face a 2003), com o BES a manter uma "política de prudência" dada a conjuntura macro-económica e o impacto ainda desconhecido da aplicação das novas normas internacionais de contabilidade em 2005.
Também o fundo para riscos bancários gerais "tem vindo a ser reforçado", com o saldo a aumentar em 35 milhões de euros, para um total de 151 milhões, desde Dezembro do ano passado.
As mais-valias obtidas com a venda de participações na Crédibom (24,8 milhões de euros) e na Clarity (20,7 milhões de euros) foram neutralizadas através do reforço do provisionamento, esclareceu o banco.
Ao nível da qualidade dos activos e da solidez financeira, o BES salienta que o rácio crédito vencido há mais de 90 dias/crédito a clientes diminuiu em 32 pontos base, com o rácio de cobertura a apresentar "uma melhoria expressiva" nos nove meses.
O crédito a clientes aumentou 9,7 por cento, para 30,34 mil milhões de euros, enquanto os recursos totais de clientes subiram 12,8 por cento, para 40,2 mil milhões de euros.
O rácio de solvabilidade "continua a apresentar níveis confortáveis", situando-se nos 10,30 por cento segundo os critérios do Banco de Portugal, e nos 12,27 por cento, de acordo com os critérios do BIS.
As acções do BES seguiam a perder 0,67 por cento, para 13,40 euros, na Euronext Lisboa.