Lucros do BCP sobem 50% para 207,5 milhões de euros em 2022

O Millennium BCP teve lucros de 207,5 milhões de euros em 2022, mais 50% do que os 138,1 milhões de euros de 2021, divulgou hoje o banco.

Lusa /
Foto: Rafael Marchante - Reuters (arquivo)

O ano passado, em termos consolidados, a margem financeira cresceu 35,3% para 2.149,8 milhões de euro e as comissões subiram 6,1% para 771,9 milhões de euros.

Os custos operacionais caíram 3,8% para 1.073 milhões de euros, com os custos com pessoal a ascenderem a 564,3 milhões de euros (semelhante a 2021).

Miguel Maya destacou que o banco atingiu um rácio de eficiência ('cost to income') abaixo dos 40% em 2022 (37%), cumprindo já a meta do plano estratégico e tornando o BCP uma referência "ao nível da eficiência", afirmou.

Em 2022, o BCP teve encargos de 525,6 milhões de euros com a carteira de créditos hipotecários em francos suíços na operação da Polónia, que inclui 102,3 milhões de euros para imparidade do 'goodwill' (reputação) do Bank Millennium (em 2021 não houve esta imparidade).

O BCP tem uma importante operação na Polónia, onde detém 50,1% do Bank Millennium.

Em 3 de outubro de 2021, o Tribunal de Justiça da União Europeia considerou existirem "cláusulas abusivas" nos empréstimos feitos na Polónia em francos suíços, incluindo pelo BCP, admitindo a possibilidade de serem anulados à luz da lei europeia.

Em causa está um pedido de nulidade feito por cidadãos polacos aos tribunais na Polónia e que chegou ao TJUE relativo aos empréstimos em francos suíços por estes contraídos em 2008 na Polónia, nomeadamente créditos à habitação, que levaram a que as dívidas das famílias aumentassem aquando da valorização do franco suíço face à moeda local, o zloty.

No acórdão divulgado em 3 de outubro, o TJUE determinou que, "nos contratos de empréstimo celebrados na Polónia e indexados a uma moeda estrangeira, as cláusulas abusivas relacionadas com a diferença nas taxas de câmbio não podem ser substituídas pelas disposições gerais do direito civil polaco".

Ainda segundo os resultados hoje divulgados, por geografias, o BCP teve lucros de 353,6 milhões de euros em Portugal (mais do dobro dos 172,8 milhões de euros de 2022). Na Polónia teve prejuízos de 216,7 milhões de euros (abaixo dos 284,4 milhões de euros de 2021) e em Moçambique lucros de 101,9 milhões de euros (acima dos 95,6 milhões de euros de 2021).

Em conferência de imprensa, o presidente executivo (CEO) do BCP, Miguel Maya, disse que o banco não contava no seu plano estratégico com as "adversidades com que teve de se defrontar" - pandemia, inflação, a guerra na Europa e os encargos relacionados com os créditos em francos suíços no polaco Bank Millennium -, mas que conseguiu "superar as adversidades".
"Prudência" na distribuição de dividendos 

O presidente executivo do BCP disse hoje, a propósito da distribuição de dividendos, que o banco deve optar pela "maior prudência" e que a prioridade da Comissão Executiva é a proteção do capital do banco.

Questionado sobre se haverá distribuição de dividendos, Miguel Maya disse que essa "é matéria da competência da assembleia-geral", mas acrescentou que a Comissão executiva defende que "em tempos de incerteza" se deve "optar por maior prudência".

"A prioridade da equipa executiva do BCP proteção do capital e reforço dos rácios de capital, consideramos muito importante ter rating de investment grade", afirmou ainda.

Por seu lado, o presidente do Conselho de Administração (chairman, função não executiva), Nuno Amado, disse que o órgão que dirige "tem entendido e apoiado a decisão" da Comissão Executiva do BCP de precaução.

Contudo, acrescentou, a prioridade é pagar dividendos o mais rapidamente possível logo que os riscos estejam estabilizados: "O nosso objetivo é reabrir uma política de dividendos intensa", disse.


O BCP tem como principais acionistas o grupo chinês Fosun, com 29,95% do capital social, e a angolana Sonangol, com 19,49%. Tem ainda uma grande dispersão de ações em bolsa.

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