Ludgero Marques diz que "Portela+1" é opção mais "inteligente"

Porto, 28 Nov (Lusa) - O presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP) considerou hoje o modelo "Portela+1", apontado pela Associação Comercial do Porto (ACP), como o mais "inteligente", salientando que sempre defendeu a manutenção e investimento no actual aeroporto de Lisboa.

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"Considero que a proposta Portela+1 é inteligente. Desde sempre apoiei o aeroporto da Portela porque tem capacidade para mais de 25 milhões de passageiros, desde que o queiram", afirmou Ludgero Marques em declarações à agência Lusa a propósito do estudo da ACP sobre o novo aeroporto, divulgado na terça-feira.

Segundo o empresário, esta informação foi-lhe dada pela ANA, entidade gestora dos aeroportos portugueses, na altura em que foi por diversas vezes ouvido no âmbito do projecto de expansão do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto.

Para Ludgero Marques, o aeroporto de Lisboa "foi sempre maltratado", sofrendo sucessivas obras "que não estavam de acordo com um aproveitamento racional, desde as mangas, ao desenvolvimento do actual terminal, à má ocupação dos armazéns e hangares, à má gestão das placas de estacionamento e construção do apeadeiro a que chamam terminal 2".

"[Isto] só demonstra que, afinal de contas, há espaço, só é preciso saber aproveitá-lo", sustentou.

Uma "má gestão" que o dirigente associativo admite estar ligado ao forte potencial imobiliário da área onde está implantado o Aeroporto da Portela.

"O aeroporto de Lisboa, com toda aquela área, dá ali uma zona imobiliária formidável", notou.

Para Ludgero Marques, e "independentemente do ruído ou de outras condicionantes que pode ter, o aeroporto de Lisboa tem capacidade para ir muito mais longe, mas isso não sido feito para o desvalorizarem".

"Julgo que o Aeroporto de Lisboa tem todas as condições para continuar a ser um bom aeroporto, e com toda a dignidade, desde que se gaste algum dinheiro, que não precisaria de ser tanto quanto o que se gastaria em novos aeroportos", sustentou.

Dado o forte desenvolvimento dos voos de companhias aéreas `low cost` (de baixo custo), o empresário considera oportuno "aproveitar o Montijo, que está ali à beirinha", como aeroporto auxiliar.

"E não venham, depois, arranjar questões de conflitos de voo, porque já existem voos militares lá", referiu.

A hipótese de opção por Alcochete, em alternativa ao Montijo, para complementar a Portela, merece também a simpatia do presidente da AEP.

"Simpatizo também com Alcochete, sou a favor de construir coisas com dignidade em Lisboa, acho que Lisboa necessita de ter uma aeroporto digno e rápido", sustentou.

Questionado pela Lusa sobre o `feed back` que espera do Governo face a um novo estudo desfavorável à opção pela construção do novo aeroporto na Ota, Ludgero Marques admitiu que o executivo "deve estar muito confuso".

"Mas - frisou - se o Governo quiser ser racional, irá poupar dinheiro e apostar numa opção destas, muito mais barata que as outras".

O essencial, acrescentou, é "que o país lucre com isto, e rapidamente, e haja mais tempo para se pensar noutras coisas".

"Eu nunca gostei da Ota, nunca foi um projecto com que simpatizasse, sempre fui a favor de uma melhoria substancial do aeroporto de Lisboa, dando-lhe uma nova área", reiterou.

Descrevendo a Ota como "uma aposta estranha, esquisita", Ludgero Marques recuou ao tempo em que, enquanto técnico de material aéreo, por várias vezes aterrou na zona da Ota.

"Muitas vezes voei e aterrei na Ota e acho que as condicionantes a deixavam de fora de questão", disse, recomendando uma "posição forte" do executivo, independentemente dos "compromissos que entretanto foram assumidos política e empresarialmente".

"Gostaria que o bom senso imperasse e que estivessem todos a favor do país", rematou.

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