Lufthansa tem lucro de 1,3 mil milhões de euros em 2025 mas alerta para incerteza no Médio Oriente
O grupo aéreo alemão Lufthansa registou um lucro líquido de 1,3 mil milhões de euros em 2025, menos 3% do que no ano anterior, apesar de receitas recorde de 39,6 mil milhões, e alertou para maior incerteza devido ao Médio Oriente.
O volume de negócios do grupo aumentou 5% face a 2024, impulsionado pela procura por viagens aéreas, tendo a companhia transportado 135 milhões de passageiros ao longo do ano, mais 3% do que no período anterior, de acordo com o comunicado emitido hoje.
Segundo a empresa, o lucro operacional (EBIT ajustado) subiu para dois mil milhões de euros, acima dos 1,6 mil milhões registados em 2024, refletindo menores custos com irregularidades nos voos, bem como o impacto de preços mais baixos do querosene e de um dólar mais fraco
O presidente executivo do grupo, Carsten Spohr, afirmou que os resultados "demonstram a resiliência e a estabilidade do grupo".
No entanto, citado no mesmo comunicado, alertou que "a guerra no Médio Oriente demonstra mais uma vez quão exposto está o transporte aéreo e quão vulnerável continua a ser, mesmo que a indústria esteja hoje mais resiliente a crises do que no passado".
Segundo o responsável, a forte concentração dos fluxos globais de tráfego aéreo nos centros de ligação (`hubs`) do Golfo "está a revelar-se cada vez mais um `calcanhar de Aquiles` geopolítico".
Para Carsten Spohr, "torna-se ainda mais importante não prejudicar ainda mais as companhias aéreas e os centros de ligação europeus", sublinhando que "a soberania da Europa exige a capacidade de manter as suas próprias ligações aos mercados globais".
No total, as companhias aéreas do grupo transportaram 135 milhões de passageiros em 2025, com a taxa média de ocupação dos aviões a atingir um novo máximo de 83,2%.
Para 2026, o grupo prevê um aumento das receitas e uma melhoria significativa dos resultados, embora admita que os desenvolvimentos no Médio Oriente e as suas consequências geopolíticas para a economia mundial aumentam a incerteza nas previsões.
Ainda assim, a empresa indicou ter registado recentemente uma subida da procura por voos de longo curso, sobretudo em rotas para e a partir da Ásia e de África, estando a avaliar reforçar frequências para destinos como Singapura, Índia, China e África do Sul.
A administração vai propor aos acionistas o pagamento de um dividendo de 0,33 euros por ação relativo ao exercício de 2025, acima dos 0,30 euros distribuídos no ano anterior.
A Lufthansa tem manifestado interesse na privatização da TAP, tal como o grupo IAG, dono da Iberia e da British Airways, e o grupo Air France-KLM, que também têm acompanhado o processo de venda da companhia aérea portuguesa.