Lula diz ter telefonado a Bush exortando-o a resolver a "crise" financeira
Brasília, 28 Mar (Lusa) - O presidente brasileiro revelou quinta-feira a empresários do seu país e do México que exortou o seu homólogo norte-americano, George W. Bush, a "resolver a sua crise" financeira e a impedir um efeito dominó na economia global.
"O problema é o seguinte: nós passamos 30 anos sem crescer e agora que estamos a crescer apareces tu a intrometer-te. O problema é teu, de modo que resolve tu a crise", terá dito Luíz Inácio Lula da Silva a Bush num telefonema, sem esclarecer quando.
Lula contou o telefonema durante a sua participação num seminário de negócios entre empresários do Brasil e do México, salientando que "não é possível" que as duas maiores economias de América Latina tenham um intercâmbio comercial que "apenas" chega aos 6.000 milhões de dólares anuais.
Advertiu os empresários que os países latino-americanos foram "desafiados a usar toda a sua inteligência para impedir que dentro de cinco ou seis anos, com uma crise mais profunda", continuem a ser dependentes "de uma só economia, de um só país".
Segundo Lula, entre os países em desenvolvimento e os mais ricos existe uma relação desigual que tem de ser alterada.
"Quando eles crescem, nós crescemos um pouco, e quando eles têm uma crise, nós arruinamo-nos", afirmou o presidente no seminário realizado na cidade do Recife, no Noroeste do país.
O seminário, em que participam 200 empresários de ambos países, coincide com a inauguração das primeiras duas agências no Brasil do Banco Azteca, que escolheu o Recife (capital do Estado de Pernambuco) como a sua ponta de lança no maior mercado latino-americano.
O objectivo do foro é discutir oportunidades de negócios que permitam a presença de um maior número de empresas mexicanas no Brasil e vice-versa, assim como tratar de nivelar una balança comercial actualmente favorável ao país sul-americano.
Em 2006 o Brasil exportou para o México produtos no valor de 5.558 milhões de dólares e as suas importações desse país totalizaram 1.147 milhões de dólares, una relação que se manteve praticamente estável em 2007.
O interesse dos mexicanos é procurar novos clientes no Brasil, que substituam os que podem perder com uma possível recessão nos Estados Unidos, o maior destino das suas exportações.
Os brasileiros, por seu lado, pretendem entrar no segundo maior mercado latino-americano, que, além disso, faz parte do Tratado de Livre Comercio da América do Norte (com os Estados Unidos e Canadá).
No foro participam representantes de gigantes mexicanas, como a Telmex y Femsa, e varias empresas brasileiras com interesses no México, como o Banco do Brasil e a construtora Andrade Gutierrez.
Também assistem o ministro de Economia mexicano, Eduardo Sojo, e o empresário Ricardo Salinas, presidente do Grupo Salinas e do Banco Azteca, terceira instituição financeira mexicana.