Lula e Blair pedem um esforço a favor dos países pobres
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e uma plêiade de personalidades reunidas hoje, em Davos, reclamaram um esforço internacional acrescido a favor dos países pobres, em particular no plano comercial.
Na presença de dezenas de ministros do Comércio na pequena cidade suíça pa ra tentar relançar as negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC), Lula e Blair sublinharam a importância desse relançamento para os países em desenvol vimento.
"Queremos enviar um sinal aos países pobres e dizer-lhes que eles terão a sua oportunidade no século XXI", exclamou o presidente brasileiro perante o Fóru m económico Mundial que reúne 2.400 personalidades dos mundos económico (800 emp resários), político e cultural.
"Os Estados Unidos devem reduzir os subsídios, a UE deve reduzir os subsíd ios e abrir mais o seu mercado", defendeu Lula.
Tony Blair afirmou que um fracasso do ciclo de negociações na OMC "poderá ter um efeito desmoralizador para África", "um efeito bem pior do que muitos res ponsáveis imaginam".
O primeiro-ministro britânico falava durante um debate que reuniu a presid ente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, o presidente sul-africano, Thabo Mbeki, o cantor irlandês Bono e o multimilionário norte-americano Bill Gates.
Blair propôs que a próxima reunião do G8 na Alemanha sirva para os países ricos reafirmarem compromissos em matéria de luta contra a sida e redução da dív ida.
"O G8 será ocasião de ver se fazemos progressos sobre a dívida", afirmou B ono que disse lamentar "que as promessas não sejam cumpridas". O cantor militara com outras personalidades pelo programa de perdão da dívida dos países mais pob res aprovado pelo G8 em Gleneagles (Escócia) em 2005.
Por seu lado, Mbeki reclamou uma melhor eficácia da ajuda ocidental a Áfri ca. "Não acrescentamos novos programas e novos projectos. Temos projectos retido s e outros concluídos que cheguem", declarou Mbeki.
Bill Gates, como todos os anos em Davos, falou da sua acção filantrópica, principalmente no domínio da saúde. "Se conseguirmos manter a atenção, se puderm os falar de êxitos... poderemos resolver a crise da saúde", disse.
A Aliança Mundial para as vacinas e a imunização (Gavi), financiada em par te pela fundação do presidente da Microsoft, anunciou ter vacinado 138 milhões d e crianças africanas contra diferentes doenças desde que foi criada em Davos, em 2000, e estima ter assim salvo a vida de 2,3 milhões delas.
Depois do crescimento mundial, as alterações climáticas e a situação no Pr óximo e Médio Oriente, o programa do Forum interessou-se hoje pelas perspectivas de desenvolvimento dos países pobres.
Sábado, último dia do Fórum, a atenção deverá centrar-se nos esforços dos ministros do Comércio no quadro da OMC, à margem do programa oficial.
Esta reunião foi precedida de declarações múltiplas e contraditórias sobre as hipóteses de relançamento do ciclo de Doha, congelado desde o ano passado de vido a divergências sobre a agricultura.