Macau. Crescimento apesar da crise mostra resiliência do turismo
O "crescimento modesto" no número de visitantes internacionais na primeira metade do ano demonstra a resiliência do setor face à crise no Médio Oriente, disse hoje a secretária-geral da ONU Turismo, Shaikha Al Nuwais.
De acordo com o mais recente Barómetro Mundial do Turismo da ONU, divulgado em 17 de setembro, o número de turistas internacionais aumentou 0,4% em comparação com o período entre janeiro e junho de 2025.
No segundo trimestre, as chegadas globais caíram 1%, algo que o relatório justifica com a insegurança no Médio Oriente, a subida do preço do petróleo e as pressões inflacionárias.
Ainda assim, Al Nuwais preferiu sublinhar que cerca de 690 milhões de pessoas viajaram internacionalmente na primeira metade de 2026, mais três milhões do que no mesmo período do ano passado.
"Face à situação geopolítica e a tudo o que está a acontecer no Médio Oriente, este número é muito promissor", disse a dirigente, natural dos Emirados Árabes Unidos.
Em fevereiro, os Estados Unidos (EUA) e Israel lançaram uma ofensiva contra o Irão, que respondeu com ataques contra interesses norte-americanos nos países vizinhos, causando interrupções no tráfego aéreo através do Médio Oriente.
A presidente do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, na sigla em inglês), Gloria Guevara, sublinhou que, antes da crise, os aeroportos do Médio Oriente representavam 14% do tráfego aéreo a nível global.
Além disso, o Irão reivindicou o controlo de Ormuz e tem atacado navios que atravessam sem autorização o estreito, por onde passava, antes da guerra, cerca de um quinto dos hidrocarbonetos comercializados mundialmente.
Em retaliação, os EUA impuseram um bloqueio aos portos e navios do Irão, reduzindo praticamente a zero as exportações de petróleo iraniano, levando à subida do preço do crude a nível mundial e ao aumento do custo das viagens.
Perante tantos obstáculos, o "crescimento moderado" dos visitantes internacionais mostra "que o setor do turismo tem um potencial enorme", disse. "Estes números revelam o alcance do turismo", defendeu Shaikha Al Nuwais.
A secretária-geral da ONU Turismo falava na sessão de abertura do Fórum de Economia de Turismo Global, cuja 12.ª edição tem como tema "Crise, Resiliência e Evolução".
"A crise põe-nos à prova. E, este ano, ela pôs-nos à prova de forma intensa. A resiliência ajuda-nos a recuperar e a seguir em frente. Mas a evolução é a nossa verdadeira ambição", defendeu Al Nuwais.
"Não apenas regressar ao ponto em que estávamos, mas construir uma economia do turismo com melhores empregos, destinos mais fortes e maiores oportunidades para as pessoas e para as comunidades", sublinhou a dirigente.
"Todas as semanas temos uma crise em algum lugar do mundo", lamentou Gloria Guevara, antiga secretária para o Turismo mexicana, sendo que "cada crise tem impacto" no setor do turismo.
Ainda assim, a presidente do WTTC apontou a China como um país com "um desempenho notável", com a riqueza criada pelo turismo a subir mais do que a média da Ásia-Pacífico, região que liderou o crescimento a nível mundial.
Guevara justificou o desempenho da China com a política de isenção de visto, que descreveu como "um excelente modelo" e que a WTTC quer "partilhar com o mundo".
"Esta medida, por si só, permitiu atrair mais de 14 milhões de viajantes para esta zona do mundo", sublinhou a dirigente, numa referência ao número de turistas que entraram na China com isenção de visto.
Pequim começou em 2023 a isentar de visto os cidadãos de seis países europeus, alargando depois para 30 dias o período de permanência. A medida abrange cerca de 50 países, incluindo Portugal, e foi prorrogada até ao final de 2026.