Macau deve melhorar papel de plataforma sino-lusófona - conselheiros
Membros do Conselho para o Desenvolvimento Económico (CDE) de Macau pediram hoje para o território semiautónomo reforçar o papel de plataforma sino-lusófona, no ano em que o líder do Governo local se desloca a Portugal.
Este conselho consultivo realizou hoje a primeira reunião do ano, numa sessão marcada pela análise das novas orientações do 15.º Plano Quinquenal, aprovado pelo Governo Central da China e pela preocupação com a conjuntura internacional marcada pelo conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão.
Num discurso antes da sessão, o chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, alertou para as "perturbações na cadeia de abastecimento" e outros desafios que as recentes alterações geopolíticas e conflitos internacionais geraram enquanto ameaças ao desenvolvimento económico da cidade.
Amber Li Jiaming, a presidente do grupo empresarial HN Group e membro do conselho, sublinhou, em declarações à Lusa, após a sessão, que Macau deve "aproveitar bem as suas vantagens" e reforçar o papel como plataforma de ligação entre a China e os países lusófonos e hispanófonos.
"Temos que nos posicionar melhor como plataforma dos países de língua portuguesa e dar a conhecer a China melhor ao mundo", afirmou, acrescentando que a ligação com os países lusófonos "tem sido o ponto forte" de Macau, que agora se estendo "aos países de língua espanhola".
A China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003 e, nesse mesmo ano, criou o Fórum de Macau.
Sam Hou Fai, que tomou posse em dezembro de 2024, apontou também como prioridade a promoção dos serviços financeiros e comerciais entre a China e os países hispânicos.
Já Ng Wah Wai, conselheiro e presidente executivo da Associação Industrial e Comercial de Macau, alertou que, considerando a "conjuntura económica internacional", Macau tem que estar "preparada para estas influências externas".
O responsável acrescentou que o setor financeiro deve aproveitar o plano quinquenal para encontrar novas formas de desenvolvimento e que uma das prioridades passa por atrair visitantes dos países lusófonos e hispanófonos.
O Governo local anunciou em 27 de fevereiro o lançamento de um Fundo de Orientação Governamental de 20 mil milhões de patacas (2,1 mil milhões de euros), que visa orientar capitais privados para investimento em setores prioritários que ajudem à diversificação da economia local, dependente do setor do jogo de casino.
Li destacou que este fundo é essencial para "ajudar Macau a atingir novos patamares", apoiando pequenas e médias empresas, atraindo quadros qualificados e criando mais oportunidades de emprego para os jovens.
Entretanto, Ng confirmou ainda que o chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, deverá visitar Portugal e Espanha em abril, depois de sucessivos adiamentos. "Temos de ver como melhor promover Macau nesses locais", disse.
Inicialmente, o Governo tinha apontado a visita a Portugal para o primeiro semestre de 2025, mas depois, com as eleições legislativas portuguesas, foi adiada para o Verão.
Chegou mesmo a estar marcada oficialmente para entre os dias 16 e 23 de Setembro do ano passado, mas acabou por ser novamente adiada.
A última vez que um chefe do Executivo da RAEM foi a Portugal foi em abril de 2023, naquela que foi a primeira viagem do antigo líder Ho Iat Seng ao exterior, depois dos três anos de restrições pandémicas.
Na altura, Ho encontrou-se com o então primeiro-ministro português, António Costa, e Marcelo Rebelo de Sousa, na altura Presidente da República.