Macau Legend acusa Cabo Verde de reaver hotel-casino inacabado sem "fundamento legítimo"
A Macau Legend Development (MLD) disse que o Governo de Cabo Verde não tinha "qualquer fundamento legítimo" para reaver o hotel-casino, cuja construção a operadora de jogo deixou por concluir na capital, Praia.
No sábado, o Executivo cabo-verdiano anunciou que tomou posse dos bens e edifício do hotel-casino que a empresa, que enfrenta dificuldades financeiras, começou a construir, mas abandonou há anos.
Na terça-feira à noite, a MLD disse que foi notificada, em 15 de janeiro, pelo Governo de Cabo Verde da intenção de reaver os bens e o edifício no ilhéu de Santa Maria e na orla marítima da Gamboa.
As autoridades cabo-verdianas solicitaram a presença de um representante da operadora "para facilitar uma entrega voluntária" do hotel-casino inacabado, referiu a MLD.
"Tendo determinado que este pedido carecia de qualquer fundamento legítimo, a empresa não concordou", sublinhou a MLD, num comunicado enviado à Bolsa de Valores de Hong Kong.
O Governo de Cabo Verde avançou com a tomada de posse na sexta-feira, entrando nas instalações do projeto e "ignorando a objeção da empresa à entrega voluntária", lamentou a MLD.
A operadora garantiu que "está atualmente a procurar aconselhamento jurídico" para decidir como responder à perda do hotel-casino, algo que, sublinhou, já estava previsto nas contas da MLD.
"Assim, a direção considera que o recente desenvolvimento do projeto de investimento não terá um impacto adverso relevante na operação ou no desempenho financeiro da empresa", sublinha-se no comunicado.
O Governo de Cabo Verde reiterou no sábado que "fez tudo para assegurar a implementação do projeto", mas os contratos "foram irremediavelmente incumpridos" por parte dos investidores.
Em julho, o ministro da Administração Interna de Cabo Verde, Paulo Rocha, disse à Lusa, em Macau, que o Governo daria uma "última oportunidade" à empresa, que prometeu "uma alternativa" para o espaço.
No final de março, a MLD já tinha anunciado prejuízos de 45,9 milhões de dólares de Hong Kong (5,44 milhões de euros) em 2024, em parte devido à ameaça de reversão do hotel-casino na capital de Cabo Verde.
Em 2015, o empresário de Macau David Chow Kam Fai, fundador da operadora, anunciava um investimento de 250 milhões de euros. Após revisões, a conclusão da primeira fase do projeto estava prevista para 2021.
No final de 2023, o presidente da MLD, Li Chu Kwan, disse que o grupo pretendia encerrar os projetos em Cabo Verde e Camboja.
Atualmente, havia apenas guardas nos portões do recinto, uma área de cerca de 160 mil metros quadrados, que inclui o ilhéu, parcialmente esventrado e, uma ponte asfaltada de poucos metros que o liga a um prédio de cerca de oito andares, vazio e vedado com taipais - que entretanto começaram a ser retirados.
No final de agosto de 2025, a MLD admitiu ter "dúvidas significativas sobre a capacidade do grupo de continuar em atividade" devido a dívidas totais de 2,4 mil milhões de dólares de Hong Kong (262,2 milhões de euros).