Maior grupo farmacêutico português abandona APIFARMA

O maior grupo farmacêutico português da actualidade, a Farma-APS Generis, anunciou hoje ter abandonado a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (APIFARMA) por considerar que a associação tem vindo a travar campanhas contra os genéricos.

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Numa carta enviada à APIFARMA, a Farma-APS diz estar no grupo que a associação considera dos "indesejáveis", já que é portuguesa e produz medicamentos genéricos para "algumas das maiores multinacionais de investigação do mundo".

"Essa categoria de medicamentos [os genéricos], que à luz do vosso douto conhecimento, são tratados como uma espécie de medicamentos contrafeitos", escreve na carta o director-executivo (CEO) da Farma-APS, Paulo Paiva dos Santos.

A carta, dirigida ao presidente da Direcção da APIFARMA, João Pedro Almeida Lopes, sublinha também que a Farma-APS até estaria disposta a integrar a associação se esta "não utilizasse o valor da receita dos pagamentos devidos com as quotizações para efectuar campanhas contra os genéricos".

Uma outra razão apontada contra a APIFARMA é a apresentação de "providências cautelares contra os interesses dos vossos associados".

A APIFARMA interpôs este mês uma providência cautelar contra um concurso internacional de 500 mil euros para promover o mercado de genéricos, alegando uma agressão à lei da concorrência e defendendo que ao Infarmed cabe apenas a promoção de campanhas de esclarecimento para o uso racional dos medicamentos.

Nas suas alegações, a associação também defende que foi colocado em causa o princípio da ajuda de Estado, que é definido por um apoio de 200 mil euros em três anos e que obrigatóriamente terá de ser comunicado à Comissão Europeia.

"Apenas se compreende que as medidas que a vossa associação assume declaradamente contra os medicamentos genéricos sejam devidas a uma suposta classificação interna da APIFARMA em associados de tribuna, associados de bancada e associados de peão", realça o director-executivo da Farma-APS.

Considerando que "o critério de quotização é rigorosamente igual para todo o tipo de associados", Paulo Paiva dos Santos considera que "um associado de peão, (aqueles dos genéricos), são quotizados permiladamente da mesma forma que os associados de tribuna, mas aos mesmos apenas concedidos os direitos de peão de brega".

"E não se iludam com o valor da quotização indexada à facturação, porque poucos são os que facturam mais do que o Grupo Farma-APS/GENERIS. E quando dizemos poucos, como bem sabe, estamos a falar provavelmente de uma minoria de apenas 10 empresas em Portugal", revela o responsável.

Na carta, Paulo Paiva dos Santos considera que, apesar do seu nome, a APIFARMA "infelizmente de indústria e de portuguesa tem muito pouco" e, por se assumir como fazendo parte do grupo dos "industriais e 100 por cento portugueses", comunica o "abandono imediato da referida associação".

A saída da Farma-APS, ironiza o director-executivo, até deve ser "um momento de grande alívio e satisfação" para a APIFARMA.

Contactada pela Lusa, a APIFARMA escusou-se a fazer qualquer comentário sobre o abandono da Farma APS Generis.

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